Músicos de diversas latitudes emociona público que vem aprender e se relacionar com a água
Texto e fotos: Rubén Rodríguez
Anos atrás, alguns dos rostos expostos sobre o palco podiam ser vistos com freqüência. Hoje o grupo se desfez, mas isto não significa que não continuem emocionando o público.
Graças a isso e aos encontros gerados na Expo Zaragoza – para falar de água e conhecermos grupos diversos – é possível criar cores humanas como a desenhada pelos componentes do Black Baudelaire www.hiphopasion.wordpress.com/category/black-baudelaire: Babakar Gaye, cantor de hip-hop de Dacar (Senegal), o produtor francês Stéphane Laidet e o D.J. Kyzer, de Marrocos, uniram-se para misturar ritmos como o raggamuffin, os sons das guitarras espanholas, o hip-hop senegalês, o jungle e uma mescla de idiomas incluindo o pouco conhecido wolof, uma das línguas do Senegal.
Também misturado era o público que desfrutou dos sons novos e renovados. Era possível ver adolescentes ao lado de pessoas de trinta anos ou mais, mais uma prova do que se consegue com eventos desta proporção. O concerto durou uma hora, embora o público tenha pedido bis.
A mensagem era clara: para os jovens africanos que deixam seus países, não é fácil fazer a Europa. A música flui como poesia marcada pela forte energia que o Black Baudelaire transmite ao público, deixando um gostinho de quero mais.
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Aterciopelados arma verdadeira festa no Balcão da Música, com um concerto único e intimista, selando seu compromisso com a água.
Por: Boris Ramírez / Yazmín Trejos
Fotos: Carmen Abdo / David Ruiz
“Isto foi só um ensaio, nos vemos daqui a pouco”, disse, com a maior simplicidade, Andrea Echeverry, enquanto a platéia ovacionava a presença do grupo colombiano Aterciopelados.
Ela estava plena, cheia de vida… a sua e a do filho que carrega na barriga. Héctor Buitrago, em conversa com a equipe Aqua Vitae, contou-nos sobre seu compromisso com a causa pela Água na Colômbia. De fato, estão há poucos passos de conseguir que um referendum sobre a água no país se torne realidade www.aguayreferendo.blogspot.com e cantam, em conjunto com outros artistas, para recuperar o Rio Bogotá, um dos mais contaminados do planeta. www.encolombia.com/medioambiente/hume-plantatratamientorio.htm
Esse compromisso não está apenas no papel, é também uma realidade, já que sua nova proposta musical deverá se chamar “Rio”, prevista para ser lançada ainda no 2008
O concerto foi único e intimista com um calor que já brota em muitos cantos da América Latina. A platéia não parava de brincar, gritar e cantar junto com o grupo que, com sua arte, cobre todos com amor.
Héctor concedeu uma entrevista exclusiva em nome do grupo, onde deixou claro estarem cantando pela Natureza e pela água.
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Por: Yazmin Trejos
Fotos: Carmen Abdo
Fiquei em dúvida entre dois shows: o de Juanes, que eu adoro e que é latino-americano, como eu; e o de Alanis Morissette, parte do programa da Expo Zaragoza 2008. Um esforço para tentar conciliar o mundo artístico ao grande desafio de trabalhar pela Água. Então, escolhi aquela que, assim como muitos de nós, apostou na Expo. Pude entender, no meio do concerto, em meio a um Anfiteatro 43 completamente lotado e diante de mãos postadas em forma de oração … Alanis cantou…
“You live you learn
You love you learn
You cry you learn
You lose you learn…
… You pray you learn
You ask you learn
You live you learn”
http://www.youtube.com/watch?v=Mri54t7YpKc&feature=related
A espera foi longa e sob sol intenso, mas minha expectativa era grande, observava tudo ao meu redor, observava o que estava acontecendo. Incrível, mas eventos deste tipo podem convocar artistas deste nível. Então, me lembrei de um comentário que li em nosso blog, sobre o post do concerto de Bob Dylan http://www.aquavitae.com/?p=412#comment-61 : “deveriam convocar jovens cantores de 20 anos para que o evento pudesse atingir a geração desta faixa etária, seria interessante ver Justin Timberlake ou Hannah Montana, por exemplo, neste tipo de evento……o que vocês acham? ”- Gustavo Arroyave.
Claro que não posso dizer ao Gustavo que a Alanis seja, atualmente, dessa geração de 20 anos mas, com certeza, representa os artista que vêm convocando as novas gerações já há algumas décadas, afinal, são 4 Grammys (o Oscar da música) acumulados e mais de 30 millhões de discos vendidos.
E assim cantamos, cada um inspirado no momento em que vive … eu, no meu momento: o maior evento de água do planeta, acabei cantando para a água, junto com Alanis, que somou mais coisas a esta historia líquida:
“… thank you India (“obrigada Índia)
thank you Providence… (obrigada Providence)
thank you clarity (obrigada claridade)
thank you silence”. (obrigada silêncio”)
http://www.youtube.com/watch?v=b1WJlxjxAZE
Era mesmo evidente sua gratidão, pois encerrou o show enviando “alguma coisa” de seu coração para o público: suas mãos iam do centro de seu corpo para as pessoas, que não paravam de aplaudir.
Tentei conseguir algum comentário dela, mas depois de um não bem redondo e em espanhol, fiquei (e ainda fico) com a esperança, mais, com a convicção de que Alanis, assim como toda equipe Aqua Vitae, aposta na Vida, na Água, na Água que não tem idioma, nem idade, nem classe, nem país, aposta num recurso que nos torne unos… Somos Água.
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Os Trovadores Urbanos enchem de melodia a Expo Zaragoza
Por: Boris Ramírez
Fotos: Carmen Abdo
Maída é graciosa e mexe de maneira alvoroçada suas mãos vermelhas. Valéria é musical e canta como um anjo. Ambas trocam melodias com seus elegantes companheiros Juca e Eduardo e conquistam o público que, embelezado, submerge nas notas de cadências suaves.
O grupo brasileiro Trovadores Urbanos www.trovadores.uol.com.br se apresenta no Balcão da Cultura da Expo Zaragoza 2008 dentro da variada oferta cultural da mostra.
Alegres, travessos e cúmplices os quatro cantam bonitas baladas de amor… “Fazemos serenatas nas janelas”, diz Maída com enorme sorriso.
Mas não é só ela quem sorri. Todos estão felizes, reflexo do amor e desfrute que têm por aquilo que fazerem há dezoito anos, quando, numa noite de 12 de junho (Dia dos Namorados no Brasil), iniciaram sua viagem de serenatas por todos os cantos da cidade de São Paulo.
Desde então, passaram a ser chamados para outros cantos do mundo, até chegarem a Zaragoza, onde puseram um pouco da candura e da cor paulistana nas longas jornadas de discussão e de visitas ocorridas aqui. Zaragoza tem se tornado um enorme imã, tentando chamar a atenção de todos sobre o tema água… chamar atenção daqueles que a analisam, daqueles que a representam ou daqueles que, assim como os Trovadores Urbanos, a cantam.
• O grupo é formado por Maída Novaes, Valéria Caram, Juca Novaes e Eduardo Santana.
• Já se apresentaram na França, Espanha, Portugal e Emirados Árabes Unidos.
• Gravaram seis CDs.
• Suas músicas estiveram presentes nas novelas Vila Madalena e O Cravo e a Rosa, produções da TV Globo.
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O recinto de Ranillas - lugar onde está sendo realizada a Expo Zaragoza – continua rendendo tributos para a água com shows pirotécnicos.
Por: Miguel Simón
Fotos: David Ruiz
Se há algo que caracterize as festas valencianas sem dúvida o ruído é uma delas e, sobre tudo, o aroma de pólvora dos milhares de fogos de artifício.
Esse cheiro foi reconhecido na Avenida 2008, na Expo Zaragoza, trazido pelo grupo valenciano Xarxa Teatre, que representou “Foc del Mar”.
O nome do show, que em catalão quer dizer fogo do mar, já prepara os espectadores para o que verão. Foc del Mar consiste em um desfile pirotécnico de grande intensidade, praticado por um grupo de músicos que, com os tradicionais tambores e flautas doces marcam o ritmo.
Enquanto isso, atores disfarçados de demônios brancos avançam empurrando peculiares estruturas giratórias, ao mesmo tempo em que vão soltando os mais diferentes tipos de fogos de artifício. O público não consegue ficar parado e avança junto com o desfile, que faz algumas pausas para desenvolverem suas coreografias, deixando todos atento às explosões que aumentam cada vez mais.
Na verdade, o desfile consiste em uma recriação de tradições, lendas e costumes valencianos, cujo tema central são as festas populares.
É uma boa combinação entre teatro de rua e o mundo da festa, que transformou a Avenida 2008 em um espaço lúdico, enquanto os espectadores descobriam diferentes festas representadas: corridas de touros, mouros e cristãos, procissões de marinheiros e, claro, as Fallas, festas que celebram São José, o padroeiro dos carpinteiros.
Ao final do percurso, os carros giratórios se desfazem e formam todos uma terceira estrutura, que é submetida ao fogo purificador e regenerador, atingindo o ápice pirotécnico. O ruído das explosões, os brilhos dos fogos iluminando a noite e o cheiro de pólvora levam o público às festas de qualquer povo.
Para dar um ar mais Mediterrâneo, tanto as estruturas móveis quanto os disfarces foram inspirados na obra pictórica do catalão Joan Miró. Esta reminiscência ao renomado artista aumenta o colorido e reforça a carga de tradição cultural do show. No final, Xarxa Teatre conquista uma salva de palmas.

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Palo Q’sea e 08001 fecham noite com ritmos da Colômbia e da Catalunha
Por: Miguel Simón
Fotos: David Ruiz, Ruben Rodríguez
Nós que temos a sorte de viver na América Latina sabemos o que isso significa. Significa miscigenação, diversidade de culturas. Já o bairro Raval, em Barcelona, significa cosmopolitismo. Um cosmopolitismo dos quais os habitantes da cidade tanto se vangloriam. Desta mistura, chegaram as principais propostas da noite passada na Expo Zaragoza 2008: o conjunto 08001, e antes deles, o grupo colombiano Palo Q’sea, com um estilo mais fusion e cujos integrantes, embora vivam na cidade catalã, em sua maioria nasceram na Colômbia.
A mistura ficou clara desde o início: um pouco de cumbia, um pouco de salsa, rap, um toque de ska e como não podia deixar de ser, vindo de onde vêm, uma homenagem à rumba catalã. No palco, as informações são complexas, com bailarinas vestindo trajes típicos, com marionetes, bonecos e atores com pernas de pau, que passeavam pelo meio da platéia, conferindo ao concerto um ar mais teatral.
Por conta do atraso da chegada do conjunto 08001. A quantidade de pessoas na platéia já não era tão grande quanto a que assistiu ao Palo Q’sea. No entanto, enquanto o grupo se preparava para entrar, alguns curiosos perceberam a movimentação do staff, que de um lado para o outro iam enchendo o palco com os instrumentos musicais.
O show começa com uma saudação em árabe. Um computador dá as bases eletrônicas, enquanto os músicos fazem um passeio pelas músicas de todo o mundo. Fusão de qualidade sobre solo oriental, músicos talentosos e vozes surpreendentes.
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Espetáculo Iceberg chama a atenção para as conseqüências das mudanças climáticas
Por: Boris Ramíres
Fotos: Cintia Sarría / Estefanía Abad

As pessoas começaram a chegar cedo. Todos queriam um bom lugar para ver o espetáculo que tem sido o mais bem conceituado da Expo Zaragoza 2008 e, quatro horas antes de seu início, os campos mais próximos já estavam ocupados.
Com paciência, esperavam a noite cair… mas com a chegada do verão os dias passam a ser mais longos. De repente, um barulho começa a tomar conta do espaço. Uma música de grande impacto enche o recinto e as pessoas se calam. Tem início uma obra sinfônica, poética, tecnológica. Chama-se iceberg, já que a estrutura se assemelha a um enorme bloco de gelo suspenso no rio Ebro.
No instante seguinte… tudo começa.
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Equilibrio entre os seres humanos, as máquinas e o ecosistema
Por: Miguel Simón
Fotos: Carlos Luna
É possível criar música através de máquinas barulhentas? É possível fazê-las conviver com o delicado som dos violinos?
Sim, claro que sim! É isso que fazem François Delaroziere e Milo Malan, criadores da Sinfonia Mecânica, um show espetacular e surpreendente, que evoca o uso de instrumentos de grande porte industrial e objetos do cotidiano, dando a entender que o ser humano pode controlar estes utensílios e moldá-los, não para destruir a natureza e as fontes de água, mas para criar música.
Os integrantes da companhia francesa A Máquina www.lamachine.fr se apresentaram em Zaragoza com um espetáculo para a reflexão. Só assim foi possível ouvir o som de uma flauta doce vinda de uma onda sob pressão, que um torno de uma tonelada e meia se transforme em uma bateria ou que um contêiner vire, como num passe de mágica, o maior contrabaixo do mundo. Um tributo à convicção do controle e do equilíbrio que deve haver entre os seres humanos, as máquinas e o ecossistema.
A orquestra é formada por cinqüenta máquinas diferentes, aparatos musicais que nem sempre são inventados pelos criadores do espetáculo, como reconhece Milo Malan: “muitos de nossos instrumentos são provenientes do mundo proletário, são materiais de hidráulica ou de construção que conseguem, com estas transformações, chegar ao mudo da música e do espetáculo”.
O show, que surpreendeu todos os visitantes da Expo Zaragoza, contou com duas partes. Na primeira, o cenário estava aberto ao público. Os espectadores podem subir ao palco e interagir com os músicos. O propósito, segundo Delaroziere, é “criar uma nova relação com a platéia, estendendo o convite a todos e tentando fazer com que os espectadores possam viver o momento único da criação artística, trata-se de levar a banda perto do público, onde normalmente não podem entrar”.
A segunda parte é o concerto em si, onde os instrumentos e as máquinas se fundem de forma genial, graças ao talento dos intérpretes, demonstrando que também em música, as coisas nem sempre são como parecem.
De Zaragoza, o espetáculo segue para Liverpool, capital européia da cultura 2008 e, em seguida, para Yokohama, no Japão.
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Por: Miguel Simón
Fotos: Cintia Sarría / Estefanía Abad / Rubén Ruiz
Durante o dia todo, as movimentações que anteciparam a apresentação do grupo israelense Manumayá inundaram a Expo Zaragoza 2008. O auge, no entanto, foi durante a noite, quando tudo nas proximidades do Anfiteatro 43 estava praticamente lotado.
A manhã foi marcada por uma coletiva com a imprensa, onde quatro dos atores que estiveram presentes e ofereceram, antes de começarem a falar, um mini-show aos presentes. Nada falaram sobre o espetáculo, mas ninguém se importou.
Foi à noite, no entanto, que o Manumayá fez valer o significado de seu nome em hebraico: investiram em habilidade.
O Mayumaná é habilidade e fusão. Seu espetáculo é moderno e atrevido e combina elementos de várias disciplinas baseados na música, dança, interpretação, no movimento e na percussão. São coreografias cheias de força e vitalidade, que irradiam uma energia especial, uma energia que não dá brecha para que o espectador possa sequer pestanejar. Cubos de plástico, contêineres, atletas que nadam, barris e até máquinas de cortar ferro…. Vale tudo no repertório: ritmo, mensagem e outra vez muito ritmo.
O público simplesmente viaja, é transportado. Os atores conseguem criar em um mesmo cenário com cada golpe, com cada palma, cada salto um ambiente diferente, com diferentes sensações. O público sente-se, por alguns momentos, como se estivesse numa fábrica, logo já está na Arábia, de repente, entra num bar. O caráter multifacetado dos atores, levam às inspirações flamencas fundamentos do balé clássico, movimentos da belly dance, acrobacias de capoeira.
Desde que estreou, em 1998, a companhia israelense já atuou mais de cinco mil vezes, tendo sido, no entanto, capaz de se renovar e de se manter inovadora. Para a ocasião, incluíram até um pequeno fragmento de uma jota, dança típica da cidade de Zaragoza, que surpreendeu o público.
O Mayumaná deve se sentir recompensado pelo trabalho que fez, pois conseguiu encher uma platéia com pessoas que jamais iriam a um teatro. Isso comprova a heterogeneidade do público que os admira: crianças, jovens, adultos e gente mais velha, todos entusiasmados com o show e sentados apertados, em lugares onde não cabia mais alma viva.
O show estava bem à propósito do tema Água, não apenas porque o grupo é mestre em reciclagem, mas porque Mayumaná e Expo Zaragoza se encaixam perfeitamente, segundo Walter Zaga, um dos membros do grupo. “Temos nos sentido muito à vontade vendo gente de todo o mundo, é uma boa oportunidade para as pessoas que não viajam e que portanto não teriam condições de aproveitar esse material humano que nos aproxima das distintas culturas”, afirmou o argentino Zaga. O Mayumaná é formado por mais de 40 componentes de mais de 20 países. Isto sim é que é miscigenação!
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Por: Daniel Zueras
Fotos: Carlos Acín

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