Por: Daniel Zueras
Fotos: Carmen Abdo / Rubén Rodríguez

Detalhe do Pavilhão da Nicarágua,
mostrando sua bandeira
A Nicarágua viveu seu Dia Nacional na Expo Zaragoza 2008 com a presença do chanceler para Assuntos Exteriores, Samuel Santos, que presidiu a delegação enviada de Manágua.
Da união da nação centro-americana com a comarca de Teruel de las Cuencas Mineras, o público pode apreciar uma “jota” (dança regional aragonesa) no Palácio de Congressos. Durante a visita ao Pavilhão nicaragüense (localizado na ala da AL), foi apresentada uma mostra musical do folclore do país com o espetáculo “La parienta desenfadada”.
No período da tarde, a Tribuna da Água apresentou uma explanação sobre a atual gestão da água na Nicarágua, com a presença da ministra e presidente executiva da Empresa Nicaragüense de Tubos e Conexões Sanitárias (ENACAL), Ruth Selma Herrera. No Farol, o chanceler firmou o manifesto “Implícate” (Envolva-se). Enquanto que no Balcão das Músicas, o público pôde desfrutar do concerto “Nicarágua sempre verde”, com a cantora Katia Cardenal.
Em seu discurso, Santos afirmou que os tempos atuais “exigem reflexões sobre o desenvolvimento sustentável e sobre os cuidados com um recurso vital e escasso”, como é o caso da água.
Santos disse que o governo sandinista está trabalhando em sua cordilheira vulcânica para geração de eletricidade por meio de energia geotérmica. “Há condições para novas fontes de energia limpa, objetivando a auto-suficiência energética e a venda para os países vizinhos em termos de comércio justo”. O atual governo estabeleceu que a água se tornou “um bem que não pode ser privatizado”. Segundo Santos, esta legislatura realizou ações sobre o acesso à água potável em regiões mais carentes da capital e nas áreas rurais, bem como um esforço em matéria de saneamento. “Se diminuirmos a contaminação, diminuiremos o risco de saúde”.

O chanceler Samuel Santos (centro),
presidiu a delegação enviada de Manágua.
Carmen Carmona, da Procuradoria Federal de Proteção Ambiental do México, em entrevista exclusiva para Aqua Vitae
Por: Boris Ramírez
Foto: Carmen Abdo
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Ela é apaixonada pelo tema e há muitos anos vinculou-se à defesa dos direitos ambientalistas em várias estruturas mexicanas, mais que tudo, acredita profundamente que esse é o caminho correto a ser tomado para o equilíbrio entre ser humano e Natureza.
Carmen Carmona, subprocuradora da Procuradoria Federal de Proteção Ambiental do México, veio a Zaragoza falar sobre Água e Cidade, uma análise sobre os Sistemas de Indicadores Urbanos da Água, a fim de mostrar o por quê da crise deste recurso não ser causada pela escassez, mas sim pela falta de vínculo gerada no manejo do mesmo.
Para a especialista, existe um “monopólio de poder que envolve os direitos de acesso à informação, participação e tomada de decisões em assuntos públicos relacionados à água e, por outro lado, um monopólio de capital e do sistema financeiro no acesso à tecnologia”. Desta forma, fica praticamente impossível obter “justiça em temas ambientais e relacionados à água”. (Ver apresentação e documento na categoria “Documentos Oficiais” dentro deste blog).
Sua dissertação sustenta-se no fato de que os indicadores são os mecanismos por meio dos quais se podem vincular os aspectos dispersos que permitem desenvolver uma gestão planejada. Estes indicadores incluem quem, como e o por que da gestão da água. Desta forma, o exercício dos direitos de acesso aos recursos hídricos – essencial na tomada de decisões — aportaria informações úteis para todos os setores envolvidos.
Ver entrevista exclusiva realizada por Aqua Vitae
Por: Miguel Simón
Fotos: Carlos Acín
No Farol o tom é mais informal do que em outros cenários, se parece mais com uma tertúlia de amigos preocupados com um mesmo assunto.
Cinco casos concretos e todos voltados para um mesmo objetivo: a gestão comunitária da água e seu acesso aos setores mais desfavorecidos.
Jeanneth Villaroel, do Ajuda em Ação www.ayudaenaccion.org, iniciou sua palestra explicando o trabalho desenvolvido no Equador. A organização trabalha em um programa de acesso à água, mas também se volta para o desafio de conquistar esse objetivo nos vários ecossistemas específicos existentes no país.
Cerca de 67% da população tem acesso à água, entretanto há um grande desequilíbrio entre as duas vertentes nas quais o país se divide. Villaroel afirma que há muitas instituições com poder sobre a água, o que torna praticamente impossível uma gestão eficaz. Assim, sua organização, fora o trabalho diário de facilitar o acesso à água, tem se aproximado das mesas constituintes que, há dez meses lutam para ter uma legislação eficaz em torno deste assunto diante da Nova Constituição.
Também do Equador, Bladimiro Santander, Presidente da Junta de Águas de Selva Alegra, mostrou, a partir de sua própria experiência, o sucesso da gestão comunitária da água, em um árduo trabalho que se apóia na capacitação de pessoas, bem como no estabelecimento de medidas de quantificação e classificação da água.
As experiências continuam fluindo. Rene Estuardo, da Associação Pró Água de Pueblo www.irc.nl/page/6812, na Guatemala, apresentou uma interessante conferência sobre o modelo de gestão defendido, que gira em torno da cosmo-visão que os Maias tinham sobre a água. Ele afirma que água é vida e origem da terra e da vida, e com base neste princípio fundamental, administra a distribuição do recurso natural: a água deve ser utilizada para gerar vida e não benefícios econômicos.
Como representante do Centro de Estudos e Investigações do Direito Rural e Reforma Agrária (CEIDRA), no Paraguai, Silvia González, explica o projeto Lençol Freático Guarani (por sua tradução em português), cuja extensão é do tamanho da Espanha, França e Portugal juntos. Este lençol freático seria suficiente para abastecer a humanidade durante os próximos 200 anos. No entanto, enfrenta dois problemas: de um lado, corre o risco de ficar contaminado pelo uso de pesticidas agrícolas, e por outro, as grandes corporações estão se fixando nele, a fim de torná-lo uma mercadoria e não um bem de consumo.
A jornada terminou com Varinia Rojas da Nicarágua, representante do ACICAFOC www.acicafoc.net, organização atuante em toda América Central. Mediante casos concretos e exemplos de vários países, Rojas mostrou como as comunidades indígenas buscam seus próprios meios para obtenção de recursos hídricos, diante da passividade dos governos centrais.
Importante é destacar que tais iniciativas comunitárias têm levado água a cerca de 25% da população da América Central.
No Brasil, tudo é grande. Ministro da Integração Nacional apresenta maior projeto hidráulico do país
Por: Boris Ramírez
Foto: Carmen Abdo

O projeto da bacia do Rio São Francisco www.integracao.gov.br/saofrancisco prevê “abastecer de água cerca de 13 milhões de pessoas, bem como gerar uma série de obras de recuperação e de usos eficientes da água”, segundo afirmou o Ministro da Integração Nacional do Brasil, Geddel Vieira Lima.
Vieira Lima considera o projeto de seu país bastante estratégico: “com ele pretendemos dar segurança no abastecimento hídrico da população e desenvolver outros projetos empresariais que tenham impactos positivos nas comunidades”.
Segundo o ministro, o projeto do São Francisco tem um objetivo bastante claro: “o governo brasileiro considera a água um bem e um direito fundamental para o ser humano”, assim, num primeiro momento, Vieira Lima explica que o projeto deve alcançar abastecer de água a população, os animais, além de passar segurança para as empresas que queiram investir nas regiões da bacia hidrográfica.
O Rio São Francisco é um projeto de grande polêmica, como já é do conhecimento das autoridades do Brasil. Setores como o da igreja católica e outros grupos já fizeram duras críticas ao Estado, que, de seu lado, afirma “estar realizando tudo com grande cautela e cuidado, para que em 2010 possam ser entregues as obras do primeiro tramo do projeto”.
Vieira Lima se apresentou na Tribuna da Água para compartilhar as dimensões deste trabalho.
Vários foram os países (Espanha, Panamá, Nicarágua, Costa Rica entre outros) que se interessaram por esta coletiva, ocorrida no momento em que o diretor da Tribuna, Eduardo Mestre, cedeu a palavra aos repórteres e demais espectadores presentes no fórum.
Veja a entrevista completa e mais alguns dados do Projeto São Francisco
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A realidade da água na América Latina em imagens
Por: Daniel Zueras
Foto: Carlos Acín
Cerca de 125 milhões de pessoas vivem uma dura realidade, sobre a qual há que se fazer algo. A pobreza da América Latina implica dificuldades que devem ser enfrentadas para garantir o acesso à água potável e ao saneamento básico.
Esse é o tema de diversos documentários que serão apresentados, durante estes dias, no pavilhão das iniciativas pela cidadania, O Farol. O tema “Lutas pela água” será coordenado por Engenharia Sem Fronteiras www.isf.es e por Sustainlabour www.sustainlabor.org, duas Organizações Não Governamentais (ONGs) voltadas para a cooperação e o desenvolvimento sustentável.
Bolívia, Uruguai e El Salvador dividiram suas experiências a fim de mostrar suas lutas em prol da água.

Imagem do escritor Eduardo Galeano no vídeo
“Plebiscito pela água no Uruguai”
Organizações latino-americanas acreditam em novas relações com os meios de comunicação, mas a partir de novas perspectivas.
Por: Boris Ramírez
Foto: Sergio Rodríguez
As avaliações dos meios de comunicação sempre têm pontos positivos e negativos. Ou são necessárias e respeitadas ou não as querem, mas são exigidas. O Farol, fórum das organizações sociais dentro da Expo Zaragoza, continua emanando luzes em direção a uma construção mais justa da sociedade frente aos compromissos com a água. Isso sim requer um papel importante dos meios de comunicação.
Não é de se estranhar que um dos primeiros eventos realizados foi a análise de um painel, bem como o questionamento e a revisão de iniciativas com relação a mídia. A América Latina esteve bem representada por duas organizações: Rede Fan México www.freshwateraction.net/web/w/www_107_es.aspx e Centro para a Defesa do Consumidor www.cdc.org.sv, de El Salvador.
A mexicana Cristina Balcázar apresentou uma nova estratégia de comunicação, chamada Somos Água. Anaella Gómez, de El Salvador, apresentou a maneira como, a partir de uma estrutura integral, é possível vincular além dos meios de comunicação outros setores que também podem trabalhar pela água e pelo saneamento.

Por: Daniel Zueras
Fotografias: David Ruiz
Por: Miguel Simón
Fotos: Fabio Rodriguez

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