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A CARTA DE ZARAGOZA

14 de Setembro de 2008 - admin

Como resultado final desta jornada mundial foi lançado aos governos do mundo inteiro o documento que ajudará a realizar as propostas que milhares de homens e mulheres – seres da água – estabeleceram para transformar a relação entre seres humanos e recursos hídricos.

Por: Yazmín Trejos / Boris Ramírez

Tanto o Legado como a Carta de Zaragoza devem ser instrumentos que promovam mudanças, evoluções e alternativas capazes de enfrentar os desafios ligados à água e saneamento. Estes, por sua vez, devem ser realizados com os esforços, já em andamento, para a criação de uma Agência Hídrica Mundial dentro do esquema das Organizações das Nações Unidas (ONU).

Além disso, espera-se intensificar uma campanha de informação/divulgação de todos os conteúdos temáticos abordados durante estes três meses de discussões. Temos “acreditamos poder recuperar a esperança de que os lemas se transformem em temas, sobretudo em relação à água”, afirmou Eduardo Mestre, diretor da Tribuna da Água.

A Carta de Zaragoza é a parte mais visível da herança da Expo 2008. Ela foi lida pelo ex-secretário geral da UNESCO, o espanhol Federico Mayor Zaragoza, na presença do Rei Juan Carlos I, do presidente do governo espanhol José Luis Rodríguez Zapatero, de representantes de todos os países participantes e convidados.

A Carta de Zaragoza é delineada como um instrumento de políticas públicas, de conceitos e princípios bastante claros, de valores que devem ser colocados sobre a mesa, para que possamos entender as mudanças que precisam ser realizadas no que se refere à água. Este documento será enviado a ONU, para que seja uma referência mundial nos compromissos e propostas estabelecidas pelo mundo frente aos recursos hídricos.

Eis a Carta de Zaragoza!

A Tribuna da Água RECOMENDA:

A. COM CARÁTER UNIVERSAL
A1 Que o desenvolvimento das sociedades se dê a partir de critérios de sustentabilidade e de maneira respeitosa com a natureza.
A2 Que se estabeleçam prioridades e compromissos de interesse geral para a humanidade em torno da água, fundados nos princípios éticos de sustentabilidade, transparência e equidade intra e intergeracional.
A3 Que se incentive uma gestão hídrica participativa, eficiente e solidária, de modo que fomente a responsabilidade individual e coletiva, mediante o desenvolvimento compartilhado de conhecimentos e experiências.
A4 Que se estabeleçam compromissos e normas para minimizar os efeitos negativos causados pela mudança climática e pelos fenômenos extremos, e para a adaptação dessas situações.
A5 Que as soluções e os modelos de gestão hídrica se adaptem aos níveis de desenvolvimento, cultura e capacidades sociais e econômicas de cada território e sociedade.
A6 Que as unidades básicas de gestão dos recursos hídricos sejam a bacia hidrográfica e o lençol freático, inclusive em casos de caráter supranacional.
A7 Que haja em todo o mundo água potável segura e saneamento eficaz, em regiões tanto urbanas como rurais, mediante o comprometimento global, o estabelecimento de metas realistas e a adoção de soluções concretas.
A8 Que o abastecimento de água potável e o armazenamento e tratamento das águas residuais sejam prioritários. As administrações públicas devem garanti-los com tarifas justas e que assegurem a cobertura dos custos.
A9 Que a gestão da demanda seja, no mínimo, tão importante quanto à gestão da oferta nas decisões políticas, estratégicas, de planos, programas e orçamentos.
A10 Que a pesquisa seja incentivada, assim como o desenvolvimento e a inovação no que concerne a água e que a transferência dos resultados e benefícios para a sociedade seja acelerada.
A11 Que seja criada uma Agência Hídrica Mundial, cujas principais missões sejam:
a Preparar e apresentar diante da Organização da Nações Unidas a Carta de Direitos e
Responsabilidades dos Seres Humanos para com a Água.
b Articular um marco normativo mundial sobre a água, em um contexto de desenvolvimento sustentável que seja reconhecido pelos países.
c Em matéria de recursos hídricos, preparar e incentivar o desenvolvimento da Convenção Internacional sobre Mudança Climática, Fenômenos Climáticos Extremos e Controle de Riscos.
d Impelir à aprovação do Protocolo Internacional para a Gestão Pacífica e Produtiva
das Bacias Hidrográficas Trans-fronteiras do mundo.
e Assistir aos países que demandem apoio em relação a gestão integrada da água.
f Impelir à educação, aos princípios e valores que, de acordo com o exposto, suscitem uma ética hídrica adequada.
g Promover a difusão e o intercâmbio eficaz e global de boas práticas, lições aprendidas, modelos e processos reproduzíveis, experiências que apresentem sucesso e recomendações, por meio de um centro próprio de documentação e transferência de dados sobre a água e o desenvolvimento sustentável.
h Promover alianças público-privadas que permitam unir esforços para se conseguir que o abastecimento e o saneamento universais sejam uma realidade.

B. AOS PODERES PÚBLICOS, USUÁRIOS DA ÁGUA E CIDADÃOS

B1 Que os ecossistemas sejam protegidos de maneira eficaz, por seu valor intrínseco e para se garantir as fontes de água.
B2 Que seja levada a cabo a provisão de serviços básicos de saneamento e depuração de águas residuais e seus lodos, de acordo com as realidades locais, e que se incorporem níveis sanitários de referência mundial, capazes de assegurar a saúde, a higiene e o bem-estar.
B3 Que se adotem medidas que garantam provisões básicas de água potável no interior das moradias ou tão próximo quanto seja possível. Em situações de pobreza, os governos devem garantir provisões mínimas de água.
B4 Que no ordenamento jurídico e no desenvolvimento normativo sejam considerados os hábitos culturais não prejudiciais e os direitos da população.
B5 Que a gestão dos serviços públicos de água e saneamento seja submetida ao controle público.
B6 Que a demanda de água seja ajustada e controlada, recorrendo-se ao mesmo tempo a critérios educativos, informativos, participativos e tarifários.
B7 Que sejam reduzidos os atrasos nos sistemas de abastecimento rurais, mediante intercâmbios de experiências e de modelos de gestão participativa, adaptados e assumidos pela população usuária.
B8 Que se promova e apliquem tecnologias capazes de permitir o desenvolvimento, a dessalinização e o aproveitamento das águas do mar, da captação de nuvens e de chuvas, da depuração, da regeneração e da reutilização da água, com elevada eficiência no consumo energético de baixo impacto ambiental, potencializando as energias sustentáveis.
B9 Que, tendo em vista a previsão do crescimento demográfico, os países considerem a agricultura não apenas como um setor econômico, e sim como um setor estratégico.
B10 Que se estimulem e difundam medidas para melhorar os sistemas de irrigação, gerando maior eficiência hídrica energética.
B11 Que se definam modelos financeiros capazes de satisfazer e de garantir, entre países e instituições, de forma que permitam captar no mercado o aporte necessário para investimentos em infra-estruturas hidráulicas necessárias para a prestação dos serviços públicos de abastecimento e saneamento, bem como para a capacitação dos recursos humanos necessários.
B12 Que se apliquem critérios de racionalidade econômica capazes de promover a eficiência e a sustentabilidade, ao mesmo tempo que incorporem princípios de justiça social e ambiental na gestão hídrica.
B13 Que se estabeleçam políticas integradas para designar a água em seus diversos usos, sempre que, com isso, se favoreça a eficiência econômica e a qualidade ambiental.
B.14 Que os cidadãos participem como co-responsáveis na gestão integrada da água e da sustentabilidade.
B.15 Que os cidadãos assumam que a água é, acima de um recurso de uso humano, um patrimônio de todos os seres vivos.

ZARAGOZA 2008: UMA EXPO SEM DATA DE VALIDADE
Esta Carta de Zaragoza 2008 será recomendada à Secretaria Geral da Organização das Nações Unidas, ao Bureau International des Expositions e ao Governo da Espanha, para que impilam suas recomendações.
A totalidade da documentação na qual esta Carta for baseada - informes, debates, sínteses e conclusões – será recolhida, como acervo a ser compartilhado, em diversos anexos que formam o Legado e a Caixa Azul, e ficará sob a custódia da Espanha, como país anfitrião da Exposição Internacional do ano 2008.
Zaragoza, 14 de Setembro de 2008.
Dia da Conclusão da Exposição Internacional Zaragoza 2008.

CARTA DE ZARAGOZA 2008

A Exposição Internacional Zaragoza 2008 foi a primeira na história a tratar, como tema exclusivo, a Água e o Desenvolvimento Sustentável. A Expo 2008 constituiu um grande encontro internacional, com a presença de cento e quatro (104) países e três órgãos internacionais, junto a todas as comunidades e cidades autônomas espanholas.
A Exposição, de acordo com os critérios do Bureau International des Expositions (BIE), operou vinculada, em todas as suas fases, com o trabalho das Nações Unidas em temas ligados à água.
As Exposições, concebidas segundo o espírito do BIE, constituem, atualmente, os acontecimentos internacionais que obtêm mais participação direta dos cidadãos e constituem um grande exercício de educação cívica. Na Exposição Internacional de Zaragoza, milhares de visitantes conheceram, com maior profundidade, os problemas hídricos e de desenvolvimento sustentável existentes no Planeta Terra.
A Tribuna da Água, como suporte científico e técnico da Expo Zaragoza 2008, acolheu e propiciou a transferência de conhecimentos, debates e elaborações de propostas para resolver os principais desafios hídricos presentes, e futuros, da Humanidade. Ao longo de seções desenvolvidas durante noventa e três (93) dias, a Tribuna foi o acontecimento internacional mais amplo e global sobre Água e Desenvolvimento Sustentável já existente.
A Tribuna da Água concluiu sua intensa atividade no dia 12 de setembro de 2008, com a apresentação de suas conclusões. Hoje, dia 14 de setembro do mesmo ano, apresenta nesta conclusão a síntese das mesmas, denominada Carta de Zaragoza 2008

©Expoagua Zaragoza 2008 S.A. “Fica proibida qualquer forma de reprodução, distribuição, comunicação pública e transformação desta obra sem contar com autorização prévia dos titulares da propriedade intelectual da mesma”.


Preâmbulo. Uma nova visão integrada da água

Os participantes da Tribuna da Água reconhecem que a água é essencial para a vida no Planeta.
Os novos paradigmas sobre água e sustentabilidade pretendem superar a visão meramente antropocêntrica por entender que, mediante uma gestão integrada dos recursos hídricos, se protegem ao mesmo tempo a sobrevivência do ser humano e do Planeta.
Considerando:
1 Que a água e os ecossistemas da Terra devem ser preservados e protegidos.
2 Que o acesso à água potável e ao saneamento é um direito humano que deve ser garantindo pelos poderes públicos.
3 Que os povos da Terra assumem, por meio dos Objetivos de Desenvolvimento do Milênio (ODM), um sério compromisso em relação à água.
4 Que o acesso à água é um potente vetor de desenvolvimento.
5 Que a água desempenha uma função fundamental na produção e transferência de energia.
6 Que a demanda de água continuará crescendo, principalmente pelos incrementos demográfico e da economia, o que pode implicar um aumento da ‘marca hídrica’.
7 Que os prognósticos indicam que a mudança climática é capaz de modificar a disponibilidade e as necessidades de água em todo o Planeta.
8 Que as tecnologias disponíveis permitem produzir água doce a partir da água salgada e das nuvens, além de regenerar e reutilizar a água a preços razoáveis e com menores impactos ambientais.
9 Que sobrevivência e transformação do meio rural estão diretamente ligadas à disponibilidade e ao uso sustentável da água.
10 Que a sustentabilidade da produção de alimentos está diretamente ligada ao uso eficiente da água.
11 Que a educação, a cultura, a comunicação e a participação hão de ser eixos de transformação da gestão dos recursos hídricos em todo o mundo.
12 Que é básico para a gestão integrada da água e da sustentabilidade o fortalecimento de sua governança em todos os níveis, o que implica a maior participação e co-responsabilidade da sociedade.
13 Que a unidade de bacia hidrográfica é o âmbito territorial mais eficiente para aproveitar a água e o que melhor permite resolver os conflitos entre países, regiões ou usuários.
14 Que assegurar vias de financiamento e formas de compartilhar o risco econômico, sob critérios de sustentabilidade, são indispensável para o êxito das iniciativas e atuações no âmbito hídrico.
15 Que o investimento em infra-estruturas hídricas nos países em desenvolvimento seja indispensável para a redução da pobreza e para o crescimento econômico, sendo os níveis de investimento atuais insuficientes para alcançar os Objetivos de Desenvolvimento do Milênio.
16 Que a intervenção pública deve tomar a iniciativa para promover a legislação e a estruturação adequadas dos direitos hídricos.
17 Que a pesquisa, o desenvolvimento e a inovação são pilares fundamentais que sustentam o conhecimento, o encontro de soluções, o bem-estar e a sustentabilidade em matéria hídrica.

TERMINA A EXPO ZARAGOZA, MAS A TRANSFORMAÇÃO PELA ÁGUA CONTINUA

14 de Setembro de 2008 - admin

Após 93 dias de conferências, palestras, espetáculos e apresentações termina a exposição dedicada à Água e ao Desenvolvimento Sustentável. O que não tem fim, entretanto, é o comprometimento e o trabalho pelos recursos hídricos.

Por: Equipo Aqua Vitae: Yazmín Trejos / Boris Ramírez / Carmen Abdo
Foto: Carmen Abdo

Se existe uma coisa que vai ficar para sempre desta Expo Zaragoza 2008 é o fato de ter estabelecido um tema fundamental para a espécie humana: sua relação com a água, mas não no que se refere a seu uso – que já sabemos ser abusivo -, mas sim no processo de transformação, no qual, espera-se, o homem deixe de ser o fator prejudicial do ciclo hídrico natural.

Durante pouco mais de três meses, Zaragoza foi palco para diálogos, reflexões, propostas e também muita diversão, com um objetivo primordial: o aprendizado.

Milhares de pessoas do mundo inteiro estiveram presente, outras se informavam ao redor do planeta e muitos não conseguiram perceber a magnitude do que ocorria. Mas todas, diariamente, enfrentam os problemas ligados à falta de acesso à água, má qualidade, falta de tecnologia e falta de saneamento básico e não há ser humano no mundo, sequer, que não saiba que a água representa o início e o fim da vida.

Esta exposição internacional esteve voltada para o conhecimento, sob o ponto de vista de várias culturas e de vários setores, do que se tem feito e do que se faz e deve-se fazer pela água.

Para nós, foi também o ponto de inflexão da Aqua Vitae, que desde 2005, estabeleceu-se como meio de comunicação especializado e capaz de sensibilizar alguns setores da América Latina sobre os desafios e as propostas voltadas para água e saneamento. Nestes meses, a Revista Aqua Vitae foi o único meio latino-americano presente na Expo, com o objetivo de levar a informação até a região, por meio do Blog Aqua Vitae www.aquavitae.com, cujas informações e reportagens refletiram os pensamentos e as propostas mais atuais em relação aos recursos hídricos e todos os aspectos que abrange.

Desta experiência, resultaram muitos aprendizados: falta muito para que os meios de comunicação ponham em suas pautas um tema com tantas arestas sociais, ambientais, culturais, educativas e econômicas; falta muito para que os líderes, governantes e dirigentes assumam um papel mais ativo no setor; falta vencer o medo de entender que, somente com a participação coletiva de empresas, pessoas, grupos organizados, organizações sociais e tantos outros, será possível chegar às propostas desejadas, já que a água não tem dono, tem visões divergentes, mas um só objetivo: o ser humano.

De qualquer forma, o principal resultado foi que a Revista Aqua Vitae remoçou e se fortaleceu para conseguir dar ênfase ao desafio fundamental de se tornar ponte e ponto de encontro de debates que conscientizem acerca da importância do desafio latino-americano frente à gestão dos recursos hídricos dentro do contexto global. Para isso, estabelecemos duas linhas de ação, claramente definidas: sensibilizar a América Latina sobre tais desafios e propor soluções inovadoras que atendam às suas necessidades.

A Expo Zaragoza chega ao fim, mas não à grande transformação pendente em relação à água. A América Latina ganhou muito terreno sendo a primeira potência hídrica do mundo. Resta agora tornar-se a primeira potência também em distribuição, acesso, uso, tratamento e tecnologia.

Não foi à toa que o Pavilhão latino-americano ganhou uma medalha de ouro. É preciso trabalhar para sermos merecedores da água, no presente e no futuro, da água que flui por sua superfície, por suas entranhas e que, generosamente, nos faz este chamado.

PAVILHÕES DA AL E DO MÉXICO SÃO PREMIADOS

14 de Setembro de 2008 - admin

• A América Latina ficou em primeiro lugar no quesito desenvolvimento temático
• O México ficou com o bronze pelo design e a qualidade da exposição para “pavilhões com mais 750 m”

Por: Boris Ramírez
Fotos: Carmen Abdo / Cintia Sarría / Fabio Rodríguez

A Oficina Internacional de Exposições (BIE), organizadora da Expo Zaragoza 2008, premiou os melhores Pavilhões de todo os países que, durante 93 dias, participaram da mostra dedicada ao tema Água e Desenvolvimento Sustentável.

O Pavilhão da América Latina foi o grande vencedor na categoria “áreas coletivas” pela forma como desenvolveu a temática da água e da sustentabilidade. Enquanto que o México, disputando a categoria “pavilhões de mais de 750 metros”, tirou o terceiro lugar. O Pavilhão da Alemanha venceu por “sua excelência temática e pelas interessantes mensagens transmitidas nele”, segundo o júri formado por integrantes da BIE.

A Equipe Aqua Vitae www.aquavitae.com teve acesso a sentença dos jurados, que durante semanas visitaram – no anonimato – os pavilhões, avaliando as condições por meio da qual abordaram o tema Água, e avaliando também a apresentação, o conteúdo e o design. Segundo Jean Pierre Laffon e Ole Philipson – porta-vozes do júri -, os organizadores deram uma “valorização positiva a toda a Expo, conseguindo sensibilizar e atrair os visitantes acerca da problemática hídrica”.

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COSTA RICA SE COMPROMETE A CUMPRIR PACTO DE PAZ COM A NATUREZA

14 de Setembro de 2008 - admin

Por: Daniel Zueras
Fotos: Carmen Abdo / Carlos Acín

O ministro do Turismo, Carlos Ricardo Benavides, presidiu o Dia Nacional da Costa Rica, sendo este o último dia de celebrações dos diversos países do mundo que se apresentaram na Expo Zaragoza 2008.

Benavides relembrou os desafios costarriquenhos ligados à água, destacando o chamado feito por Oscar Arias, presidente e Prêmio Nobel da Paz, ao firmar um pacto de paz com a Natureza. Esta iniciativa tem inspiração na vocação da Costa Rica para a paz. Em 1948, o país aboliu seu exército, passando a destinar os fundos – aportados na área – para os setores de educação, saúde e meio ambiente.

Assim, o ministro reconheceu claramente os desafios do país com relação ao tratamento de água, sobre o qual apresentou o “projeto de despoluição, que teria capacidade para processar 3,5 m3 de água”. Um segundo desafio seria garantir o recurso hídrico a pequenas comunidades rurais. “Hoje é o dia da confirmação de nosso compromisso para com a água. Tenho certeza de que novos esforços hídricos se realizarão em outros países. Esse é o legado desta mostra”, afirmou o ministro, indicando que a Costa Rica tem condições de riqueza hídrica e belezas turísticas capazes de torná-la um excelente destino de visitação.
Benavides expressou ainda sua convicção – bem como a de todos os costarriquenhos - de que a água é um direito humano fundamental.

Após o discurso, o líder do grupo Malpaís - Manuel Obregón - deu um recital ao piano, com a particularidade de que as notas interpretadas por ele se mesclavam com os sons de pássaros, de água de rios ou da força da queda das cataratas. Para isto, fez uso de um audiovisual que apresentou a exuberância do centro-americano.

Dentro do Pavilhão da América Latina (AL), o grupo Salsa e Son realizou três apresentações, interpretando o gênero que lhes confere o nome, animando os visitantes da Expo. À noite, no Balcão das Culturas, foi a vez do popular grupo Malpaís trazer suas originais interpretações musicais, cheias de variedade de fusão de ritmos e instrumentos.

O eixo principal sobre o qual se articula o Pavilhão é a própria definição que fazem do país: terra de paz e natureza, em um território com uma ambiciosa proposta de caráter pacifista com o meio ambiente. Além disso, a Costa Rica exibe em seu recinto 35 ricos corredores biológicos, iniciativas que permitem o pleno desenvolvimento da flora e da fauna, mas que também são um apoio ao desenvolvimento econômico das comunidades, capaz de melhorar substancialmente suas qualidades de vida.

O Pavilhão apresenta também a diversidade biológica do Parque Nacional Corcovado, localizado na Península de Osa, bem como do Parque Nacional de Guanacaste, do Corredor Biológico Monteverde-Nicoya e do Parque Nacional de Tortuguero, também chamado de a “pequena Amazonas”.

Em suas exposições, a Costa Rica espera ser o berço do turismo sustentável. Todo o desenvolvimento turístico do país está fundamentado sobre as bases da sustentabilidade e 60% dos turistas que visitam a Costa Rica, passam por algum dos Parques Nacionais.

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AS LUZES DO FAROL

13 de Setembro de 2008 - admin

O Pavilhão das Iniciativas Cidadãs dá suas conclusões, reivindicando por maior participação da sociedade civil em relação à água, a fim de incorporar no tema a sensibilidade do ponto de vista das necessidades, usos e possibilidades.

Por Boris Ramirez
Fotos: Carmen Abdo

Nas paredes de barro, forjadas com terra e água, 350 organizações sociais do mundo todo foram acolhidas durante os 93 dias de Expo Zaragoza, deixando suas múltiplas visões e compromissos assumidos com a água.

O Farol chega às suas conclusões, contribuindo com 12 aspectos que, do seu ponto de vista, devem ajudar a vincular a sociedade civil na discussão sobre os temas ligados à água, conscientes de que nestes temas está o desafio de abrir portas para discussões com outros setores, a fim de se obter os melhores resultados sobre o problema em questão.

A participação das organizações sociais nesta mostra internacional não acabou. Em novembro próximo, deverão entregar 100 propostas, que formam a Memória do Farol. Além disso, já estão se preparando para o V Fórum Mundial da Água, que deve ocorrer em março de 2009, na cidade de Istambul (Turquia), onde um novo Pavilhão deverá ser organizado, a fim de abrigar vários grupos sociais.

Estas são as 12 propostas dos governos de todo o mundo.

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Têm início as conclusões da Expo Zaragoza 2008 ORGANIZAÇÕES LATINO-AMERICANAS PEDEM AÇÕES

13 de Setembro de 2008 - admin

Incorporar dois pontos na Carta de Zaragoza que abranjam recursos econômicos, técnicos e políticos para reforçar o trabalho das organizações comunitárias prestadoras de serviços de fornecimento de água e saneamento, beneficiando cerca de 40 milhões de pessoas na região.

Por: Miguel Simón
Fotos: Carlos Luna

“A água como desafio coletivo: as organizações comunitárias prestadoras de serviços”, este foi o lema de um colóquio que reuniu participantes que abriram para o público suas experiências e conhecimentos enquanto gestores eficazes do setor hídrico. O seminário foi organizado pelo Consórcio Água Clara, uma aliança estabelecida entre a CARE Internacional para América Latina e o Caribe, a Fundação AVINA, Ecologia e Desenvolvimento e Fundes. Também participaram: Observatório Cidadão de Serviços Públicos, Instituto de Desenvolvimento Urbano CENCA (Peru) e as Juntas Administradoras de Água e Saneamento de Itaguá (Paraguai), de Chirigual (Assunção e Cajamarca - Peru), ACOSAMA (El Salvador), AC Mar de Plata (El Salvador) e JAPOE (Honduras).

O objetivo do encontro foi fortalecer e promover experiências inovadoras de acesso a serviços de água e saneamento básico às populações não abastecidas, bem como aportar para o cumprimento dos Objetivos de Desenvolvimento do Milênio (ODM), por meio dos Operadores Locais de Pequena Escala (OLPES). Foi realizado ainda um documento oficial, ao qual denominaram Declaração de Zaragoza, no qual pedem, entre outras considerações, as seguintes (ver declaração completa em: categoria – documentos oficiais):

- Recursos financeiros para permitir ampliação das coberturas de água e saneamento, em interesse ao cumprimento dos ODM.

- Assegurar - por meio de instrumentos jurídicos - a água como um direito humano fundamental e um bem público.

- Promover - por meio de fontes econômicas, técnicas e políticas - as organizações comunitárias que estão comprometidas com os serviços de água e saneamento, dado seu papel fundamental de abastecimento de cerca de 40 milhões de latino-americanos.

A sessão também aproveitou para enfatizar dois pontos específicos a serem incorporados dentro da Carta de Zaragoza, a pedido das organizações comunitárias, a saber:

• Os enfoques que favorecem os pactos entre o estado, a empresa privada e a sociedade civil permitem uma melhor gestão do setor hídrico e de saneamento básico, além de facilitarem o avanço rápido em direção ao cumprimento dos ODM quanto ao acesso e à sustentabilidade dos serviços.

• Existem amplas evidências de que as organizações comunitárias democráticas são provedores eficientes de serviços de abastecimento tanto de água quanto de saneamento de qualidade para uma parte importante da população mundial (40 milhões aproximadamente só na América Latina). Neste âmbito, é primordial que Governos e Cooperações Internacionais apóiem seu fortalecimento em aspectos políticos, econômicos e técnicos.

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MALPAÍS CANTA HISTÓRIAS DE UM BOM PAÍS

13 de Setembro de 2008 - admin

O popular grupo costarriquenho conseguiu incorporar os sons da água, da terra e da exuberante natureza em música que fusiona jazz, baladas de rock, melodias celtas e ritmos centro-americanos.

Por: Miguel Simón
Fotos: Cintia Sarría

Malpaís quer dizer exatamente o contrário do que representa o grupo musical. O nome é, na verdade, uma homenagem a uma das praias mais bonitas da Costa Rica.

Este grupo, formado pelos irmãos Fidel e Jaime Gamboa, Iván Rodríguez, Carlos Vargas, Manuel Obregón e Gilberto Jarquín, consegue transmitir as sensações da terra, da água e da exuberante natureza que permeia a Costa Rica, por meio da música.

O show começou com Presagio, canção dedicada à água e bastante apropriada ao tema desenvolvida pelas Expos. Repassaram seus dois primeiros trabalhos (o terceiro cd é ao vivo) com temas como La vieja, Como un pájaro, Contra marea e Zapateo.

Aqueles que já conheciam o talento da banda costarriquenha, não se surpreenderam com o incrível desempenho, que os transformou em um dos grupos mais renomados no país centro-americano. O certo é que boa parte do público se viu impactado pela qualidade do som dos garotos.

De fato, a imensa trajetória dos seis integrantes contribui para com o som final, uma rica mescla de ritmos, de influências variadas, que vão desde o folclore da América Central ao jazz fusion, os ritmos celtas e o rock balade. E como numa homenagem ao legendário Jhetro Tull, o grupo inclui solos de violinos e flautas, alcançando um toque diferente.

Por meio de bons arranjos, os músicos expressam uma atuação apaixonada, resultando numa música espetacular, com improvisações dignas dos grandes mestres. A experiência e a técnica do Malpaís tornam seus shows ao vivo um grande acontecimento, coroado com os louros da voz da filha de Fidel, capaz de se unificar às notas do violino como se formassem um só instrumento, de tão doce e agudo tom.

Tendo cumprido as expectativas do público espanhol, os Malpaís encerraram seu show. A música – e também a deles – não compreende o termo geração e, talvez, seja este um dos passos para o sucesso. Soar diferente os sons mais clássicos da América Central e, ainda assim, poder ser auto reconhecida dentro de qualquer um, não é assim que a música deve ser?

Sobre o Malpaís
O grupo costarriquenho é formado por seis músicos de grande trajetória num meio tão diverso como é o da nova canção, o do jazz, rock e da música erudita. O Malpaís se formou em 1999 e seus primeiros concertos foram realizados em 2001. Desde o lançamento do primeiro álbum, laconicamente chamado “Uno”, de 2002, o Malpaís foi recebido pela crítica com um fenômeno com personalidade própria. Suas canções soavam diferente a tudo o que havia sido feito até então na Costa Rica. A mistura de ritmos permite ao grupo propor uma nova experiência aos que presenciam seus espetáculos “ao vivo”.  Atualmente, a banda conta com três discos, a saber: “Uno” (2002), “Historias de nadie” (2004) e, mais recentemente, “Malpaís ao vivo” (2006). Todos, inclusive o último, ganharam o Disco de Ouro de vendas na Costa Rica. O grupo já se apresentou também no México e nos EUA, mas a verdadeira projeção internacional está apenas começando.

GUATEMALA PEDE “ALIANÇA GLOBAL” PELA ÁGUA

13 de Setembro de 2008 - admin

Por: Daniel Zueras
Fotos: Sergio Rodríguez

A especialista em assuntos hídricos e assessora do Gabinete Específico da Água do Governo da Guatemala, Elisa Colom, presidiu o Dia Nacional de seu país na Expo Zaragoza 2008.

Ela foi a portadora da seguinte solicitação, feita pela Guatemala: “fazer com que a Carta de Zaragoza - documento final desta Expo – inclua a Aliança Global da Água Doce entre estados, povos e nações”, além de um grupo de países ao qual denominou “amigos da água”.

Segundo Colom, “no início do terceiro milênio, a água deve ser o elo de união entre os estados, com laços de coesão social, superando os problemas de injustiças decorrentes do mundo globalizado”.

Para ela, a Guatemala pode ser definida como “a alma do mundo”, já que se encontra na divisão entre os dois hemisférios do planeta e também une os Oceanos Atlântico e Pacífico.

A chegada do novo século levou a Guatemala a um processo de consolidação das bases de uma sociedade democrática e solidária, deixando para trás um passado de tirania e opressão. Com os acordos de paz de 1996, dentro do novo contexto político, também chegou um novo referencial para a gestão e governabilidade hídrica. “A proteção da água, em prol do desenvolvimento humano, econômico e do meio-ambiente é um instrumento de convivência social e pacífica”.

Apesar de ser um país rico em recursos hídricos, uma quarta parta de sua população não tem acesso à água potável, motivo pelo qual é preciso “melhorar a gestão da água, sendo instrumento chave para o Estado”.
Entrar no Pavilhão da Guatemala supõe uma viagem no tempo. O visitante se depara com a cultura maia, que habitou a região no ano 2000 (A.C.). Na natureza e em suas diferentes manifestações, os maias encontravam um vínculo sagrado, que agora pode ser relembrado no Pavilhão da Expo. Bem vindos para “onde as florestas são abundantes”, esse é o significado da palavra Guatemala.

A exposição do país está baseada na cosmovisão maia, a grande homenageada em seu Pavilhão. Ao legado maia, é atribuída a integridade dos ecossistemas, não fosse pela proteção e o manejo realizado pelos antigos maias, não teria sido possível manter toda a biodiversidade das selvas guatemaltecas.

O Pavilhão mostra ainda o significado dos diferentes símbolos do universo maia, como por exemplo, a Ceiba (ceiba especiosa, Ordem: Malvales), cujas raízes são capazes de chegar ao mundo dos mortos e suas folhas e ramos até os astros, tornando-se um eixo do Universo, onde as almas dos mortos passam de um céu para o outro; ou ainda o crocodilo, que sustenta o mundo em suas costas, dele depende que a chuva chegue a tempo. O visitante pode ver também algumas imagens do jaguar, que simboliza a noite; e do quetzal, que simboliza a fertilidade e a liberdade absoluta. Dentre várias regiões, é possível conhecer a importância da “Jungla Maia” – a maior floresta tropical da América Central -, sendo, porém, surpreendentemente frágil e em constante equilíbrio. O dossel de selva previne que a luz chegue diretamente ao solo, assegurando, assim, a umidade da terra. Em plena selva, entre restos de antigas civilizações, está o lago Tigre, o maior da região centro-americana.



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MIKHAIL GORBACHEV: “ÁGUA É QUESTÃO DE SEGURANÇA MUNDIAL”

12 de Setembro de 2008 - admin

Num apanhado geral da atualidade internacional, o Prêmio Nobel da Paz afirma que é preciso valentia e coragem para deixar de se gastar com armas e viver o tempo das ações conjuntas.

Por: Daniel Zueras
Foto: Carlos Luna

O ex Presidente da extinta União das Repúblicas Socialistas Soviéticas (URSS) e ganhador do Prêmio Nobel da Paz, Mikhail Gorbachev, apresentou o livro “Água para a paz. Paz para a água”, dentro da coleção Palavras da Água, com o pensamento mais atual em torno do tema.

“A água foi reconhecida, há pouco tempo, como sendo um fator para a segurança global. Kofi Annan (antigo Secretário Geral da ONU) disse que o fator de uma nova guerra mundial pode ser a água. Por isso, é preciso se fazer alguma coisa, é nossa responsabilidade coletiva prevenir os conflitos relacionados à água”, afirmou Gorbachev.

A Green Cross Internacional, organização da qual é presidente fundador, vem trabalhando a 15 anos na resolução de conflitos provocados pela água, entre outras coisas.

O forte aumento da população – estima-se que em 2050 seremos 9 bilhões de pessoas no Planeta Terra – deverá trazer consigo uma maior pressão sobre a água e os alimentos. Mas para Gorbachev, “o problema hídrico não surge da escassez, e sim da má administração e da má utilização. O uso desmedido é a fonte destes problemas”. Segundo ele, o desperdício em água, tanto nas cidades quanto nos campos, ronda os 60 e 50%, respectivamente.

Na opinião de Gorbachev, a água tem seu preço, já que “pagamos pelo gás, por que não pelo recurso hídrico, que é muito mais caro? Nem que seja um preço acessível, ainda assim é preciso estabelecê-lo”. Afirmou ainda ser necessário impor cotas às desordens do setor empresarial: “o pior é que o mundo empresarial trata de privatizar o setor hídrico e começa a buscar um incremento dos lucros. Isso é inaceitável do ponto de vista da justiça social”.

Durante sua conferência, o ex Presidente russo não se limitou a falar apenas de água: “Minhas contínuas viagens revelam que o mundo está passando por uma desordem. Existe certa angústia no ar, estamos no umbral de algo que assusta. Vivemos preocupados com a segurança”.

Gorbachev não poupou críticas à política dos Estados Unidos (EUA) desde a queda da URSS e a crescente militarização vivida atualmente. “Não podemos fechar os olhos e fingir que não temos interesse no aumento do investimento financeiro em armas, que sobe ano após ano. Tenho a sensação que, quando surge um conflito, falta paciência para resolver a situação e as pessoas recorrem, então, às armas. O capital investido nesta área é dinheiro necessário para enfrentar a pobreza, é dinheiro que incentiva o terrorismo, onde se recrutam as pessoas”.

O problema, segundo ele, é que “tudo sempre bate na política, que não está à altura para responder à rapidez com que os acontecimentos se desenvolvem”. Os desafios são “enormes”, citando a segurança e o terrorismo e explicando que “não podem ser resolvidos de maneira isolada, trata-se de uma problemática comum a toda humanidade”, disse, fazendo alusão à unilateralidade com que atua os EUA. “A hora da ação conjunta já chegou. O princípio segundo o qual a força é suficiente e a inteligência pode ser relegada está obsoleto”.

Diante da crescente incapacidade da política e dos políticos de resolver os grandes problemas da humanidade, “deve haver uma mudança na mentalidade política. É preciso colocar em primeiro plano o papel da sociedade civil. Alguns brotos estão nascendo, como a reação das pessoas contra as reuniões do G8 (grupo dos países industrializados). Este movimento nasceu e atua sob as bandeiras que os políticos deveriam enxergar: a de que outro mundo é possível”.

A opinião da sociedade civil “não pode ser desvalorizada, é preciso levar em conta a voz dos povos”. Estamos, pois, diante do momento de “desenvolver e potencializar” seu papel, já que “as tentativas de construir o mundo sob premissas geopolíticas está chegando ao fim, pois se mostraram inconsistentes”.

A atitude norte-americana não é a que Gorbachev esperava quando teve de deixar o poder na antiga URSS. “Esperávamos uma paz estável. As decisões estavam encaminhadas no sentido de criar um mundo para terminar com a ameaça nuclear”.

Ele é uma voz da água:
Mikhail Serguéievich Gorbachev nasceu no dia 2 de março de 1931, em Stavropol (ao Sul da Rússia), no seio de uma família de camponeses. Uniu-se à Liga de Jovens Comunistas em 1946 e durante quatro anos trabalhou como operador ajudante em uma colheitadeira de cereais, na estação de máquinas e tratores. Foi Secretário Geral do Partido Comunista da União Soviética (PCUS) de 1985 até 1989 e Presidente executivo da União das Repúblicas Socialistas Soviéticas de 1989 a 1991. Ganhou o Prêmio Nobel da Paz em 1991 e, atualmente, é líder da União Social de Democratas, um partido formado após a dissolução oficial do Partido Social Democrata da Rússia, em 2007.

TÊM INÍCIO AS CONCLUSÕES DA Expo Zaragoza 2008

12 de Setembro de 2008 - admin

FÓRUM ÉTICO DA ÁGUA REIVINDICA MOBILIZAÇÃO MUNDIAL

• 20 grandes personalidades mundiais fazem um chamado para que ONU, OMC e BIRD incorporem 12 princípios para nova ética em relação aos recursos hídricos.
• O documento oficial é concluído com homenagem a Nelson Mandela: “Atuem com coragem e com visão. Às vezes, cabe a uma geração ser grande. Vocês podem ser essa geração grande”.

Por: Boris Ramírez
Fotos: Carmen Abdo

Pedro Arrojo, coordenador do Fórum Ético da Água - formado por 20 personalidades mundiais - espera que as Nações Unidas (ONU), o Banco Mundial (BIRD) e a Organização Mundial do Comércio (OMC) incorporem no debate e em suas reflexões 12 princípios que deverão marcar o modelo de globalização e de mundo que as organizações sociais pretendem construir.

Arrojo conversou com a Equipe Aqua Vitae e solicitou que sejam feitos todos os esforços necessários para a divulgação das mesmas, a fim de que, em prol de uma nova ética, estes posicionamentos sejam conhecidos, além de difundir as conclusões às quais a Expo Zaragoza 2008 está chegando com seu encerramento.
Estes são os conteúdos de destaque da declaração oficial: Princípios Éticos para uma Mobilização Mundial frente à Crise da Água (ver documento completo em: categoria - documentos oficiais):

PRINCÍPIOS ÉTICOS PARA UMA MOBILIZAÇÃO MUNDIAL FRENTE À CRISE DA ÁGUA

Com motivo da celebração da EXPO Internacional 2008 e no seio da Tribuna da Água, constituiu-se o Fórum sobre Ética em Gestão de Águas e Ecossistemas Aquáticos com a participação das seguintes personalidades:

Mario Soares, ex - Presidente de Portugal;
Federico Mayor Zaragoza, ex - Secretário Geral da UNESCO;
Vandana Shiva, física, filósofa e ativista social, Índia;
Danielle Mittérand, Presidente da Fundação France Libertés;
Marina Silva, ex - Ministra do Meio Ambiente, Brasil;
Cristina Narbona, ex - Ministra do Meio Ambiente, Espanha;
Teresa Cohen, ex - Ministra da Saúde, Angola;
Kader Asmal, ex - Ministro do Meio Ambiente, África do Sul;
Domingo Jiménez Beltrán, ex – Diretor da Agência Européia do Meio Ambiente;
Joaquín Piñas, Bispo da província de Missões, Argentina;
Samuel Ruiz, Bispo de Chiapas, México;
Sylvie Paquerot, Professora da Universidade de Ottawa, Canadá;
Pedro Arrojo, Professor-coordenador da Universidade de Zaragoza, Espanha;
Marcelo Barros, impulsor da Teologia da Libertação, Brasil;
David Siankusule, representante das comunidades afetadas pela represa de Kariba, Moçambique.

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