AQUAVITAE

EDIÇÕES COMPLETAS « voltar

TECNOLOGIA

SANITÁRIO 2.0: O novo desafio tecnológico de Bill Gates

SANITÁRIO 2.0: O novo desafio tecnológico de Bill Gates

Revolucionar o mercado da computação há 36 anos com a criação do Microsoft Windows não foi sufi ciente para ele. Agora, Bill Gates pretende promover o que chama de “reinvenção do vaso sanitário”.

Por FUNDAÇÃO BILL E MELINDA GATES

Revolucionar o mercado da computação há 36 anos com a criação do Microsoft Windows não foi suficiente para ele. Agora, Bill Gates pretende promover o que chama de “reinvenção do vaso sanitário”. Ele e a esposa investirão US$45 milhões em ciência e tecnologia sanitária

O programa de água, saneamento e higiene da Fundação Bill e Melinda Gates desafi ou recentemente 22 universidades
a apresentarem propostas de projetos de um vaso sanitário higiênico, que não use água e que seja seguro, econômico para os habitantes de países em desenvolvimento e que não precise estar conectado a um sistema de esgoto. Oito universidades ganharam bolsas para “reinventar o vaso sanitário”.

A fundação Gates lançou o Desafi o “Reinvente o Vaso Sanitário” para unir os avanços científi cos e tecnológicos e criar uma nova privada que transforme os dejetos em energia, água limpa e nutrientes. O Desafi o “Reinvente o Vaso Sanitário” tem as seguintes metas:

• Dar soluções aos defeitos do vaso sanitário do século XVIII, que não mais satisfaz as necessidades atuais de 2,6 bilhões de pessoas sem acesso a saneamento básico;
• Dedicar recursos e a atenção pública para a necessidade de um novo modelo de vaso sanitário;
• Gerar inovação entre uma maior comunidade de pesquisa e desenvolvimento;
• Apoiar a pesquisa e o desenvolvimento no nível superior para a criação de um vaso sanitário que:
• Seja higiênico e sustentável para as populações mais pobres do mundo;
• Tenha um custto operacional de US$0,05 por
usuário por dia;
• Não seja poluente, mas que gere energia e recupere
sais minerais, água e outros nutrientes;
• Seja projetado para uso em residência unifamiliar.
• Criar um vaso sanitário que não precise de água para evacuar os dejetos nem de um sistema séptico
para processá-los e armazená-los.
• Criar um vaso sanitário que sirva de base para uma indústria sanitária, que possa ser facilmente adotado por empresários de zonas urbanas de baixos recursos.
• Criar conscientização sobre esta pesquisa com a publicação de artigos em revistas científi cas e em vários meios.

BOLSAS DE ESTUDO PARA O DESAFIO
“REINVENTE O VASO SANITÁRIO”

INOVAÇÃO ACADÊMICA


Um vaso sanitário que produza carvão biológico, sais minerais e água limpa. O professor M. Sohail, da Universidade de Loughborough, e sua equipe, propõem o desenvolvimento de um vaso sanitário que transforme as fezes em um combustível de alto potencial energético através de um processo que combina a carbonização hidrotermal da massa fecal,
seguida por sua combustão. O processo receberá energia do calor gerado durante a fase de combustão, recuperando a água e os sais presentes nas fezes e na urina.

Transformar o vaso sanitário em um gerador de eletricidade para uso local. O professor Georgios Stefanidis e sua equipe da Universidade de Tecnologia de Delft propõem um sistema de sanitário que aplique a tecnologia de micro-ondas para transformar os dejetos humanos em eletricidade. Os dejetos são gaseificados usando plasma criado por micro-ondas
em um equipamento especial. O processo gera o “syngas”, uma mistura de monóxido de carbono (CO) e hidrogênio (H2). O syngas é armazenado em uma célula de combustível de óxido sólido para a geração de eletricidade. Este sistema será capaz de atender a casas individuais ou a grupos familiares inteiros. 

Um vaso sanitário que elimina a urina e recupera a água limpa de forma imediata. A Dra. Tove Larsen, do Instituto Federal Suíço de Ciência e Tecnologia Aquática, e o Dr. Harald Gründl, da empresa de desenho industrial EOOS, pretendem projetar e construir um modelo funcional de vaso sanitário que remova a urina, recupere a água e que seja fácil de usar, atrativo, higiênico e proporcione água para o banheiro.

Um sistema sanitário comunitário que mineraliza os dejetos humanos e recupera água limpa, nutrientes e energia. O professor Christopher Buckley e sua equipe da Universidade de Kwazulu-Natal se propõem a criar um protótipo e avaliar um sistema de
vasos sanitários que seja capaz de captar a urina em sistemas sanitários comunitários, eliminando os contaminantes de forma segura, ao mesmo tempo em que recupera materiais valiosos como água e dióxido de carbono.

Uma usina de produção de carvão biológico (“biochar”) alimentada por dejetos humanos. Brian Von Herzen, da Fundação do Clima, e o professor Reginald Mitchell, da Universidade de Stanford em Palo Alto, Califórnia, pretendem projetar, construir e
testar um sistema autossuficiente que faça a pirólise (decomponha material orgânico a altas temperaturas sem oxigênio) de dejetos humanos transformando- -os em uma espécie de carvão biológico usado para a captura e armazenamento de carbono. O sistema deverá ser capaz de processar duas toneladas diárias de dejetos humanos em uma instalação localizada
nas regiões mais pobres de Nairóbi, Quênia.

Um vaso sanitário que usa desidratação mecânica e incineração de fezes para recuperar recursos e energia. A professora Yu-Ling Cheng e sua equipe do departamento de Engenharia Química e Química Aplicada da Universidade de Toronto propõem
desenvolver uma tecnologia que trate o fluxo de dejetos sólidos por desidratação mecânica e incineração, tratando as fezes em 24 horas. Há também a proposta de desenvolver um método de tratamento para a urina por meio de filtragem por membranas e desinfecção ultravioleta. A terceira área da pesquisa se dedicará ao projeto com base no usuário, para determinação da interface, que se acredita ser a melhor para a demanda da tecnologia sanitária.


Foto: Wikipedia

Um vaso sanitário de energia solar que gere hidrogênio e eletricidade para uso local. O professor Michael Hoffman, do Instituto Tecnológico da Califórnia, propõe o projeto de um sistema doméstico autossuficiente de vasos sanitários e tratamento
de águas servidas ativado por energia solar. O painel solar converte os raios solares em energia suficiente para ativar um reator eletroquímico projetado pelo professor Hoffman para decompor a água e os dejetos humanos em gás de hidrogênio. Depois, é possível armazenar o gás em células de combustível de hidrogênio para contar com uma fonte de energia de
reserva para operação noturna ou em condições de pouca luminosidade solar. 

Um vaso sanitário de fluxo pneumático e extração de urina por desidratação. O professor How Yong Ng e sua equipe da Universidade Nacional de Cingapura propõem o desenvolvimento de um conjunto sanitário descentralizado, com fluxo pneumático modificado e extração de urina por desidratação, que sirva para cinco ou seis casas, com coleta e tratamento independente, de urina e fezes, para recuperação de água e nutrientes. O sistema sanitário recuperará a energia por combustão das fezes, e a água limpa por um processo de dessalinização e adsorção avançado. 

 

GRANDES EXPECTATIVAS

Autoridades mundiais do setor de água e saneamento esperam ansiosamente os resultados desta
iniciativa, considerada uma nova revolução sanitária.

• “É necessário ter vários projetos de banheiros sustentáveis que ajudem a reduzir pela metade a quantidade de pessoas no mundo que não têm acesso a qualquer tipo de privada, estimada em 1,1 bilhão de pessoas”. Ban Ki Moon, Secretário-Geral da Organização das Nações Unidas (ONU).

• “Acreditamos que podemos reciclar a energia, os minerais e a água. Queremos reinventar o vaso sanitário de modo que seja barato, não custando mais do que alguns centavos, e que os mais pobres queiram / possam?usar, gerando, assim, minerais, energia e água”. Frank Rijsberman, Diretor da Fundação para o Saneamento da Água e Higiene.

• “Nós, das comunidades, somos os maiores beneficiários de projetos como o do senhor Gates. É importante que pessoas tão promissoras de todo o mundo voltem o olhar para o problema da falta de privadas, levando muitos outros a prestarem atenção e a se interessarem neste enorme problema”. Elizalda Márquez, dirigente comunitária, Associação Saneamento e Água Potável O Engenho, Nazca, Peru.