CASOS
COMUNIDADE PRODUTORA DETERMINADA A CRESCER
Os vizinhos e produtores de Minas de San Carlos e Cruz de Eje, na província de Córdoba, na Argentina, recusaram-se a ficar de braços cruzados e se puseram a trabalhar para serem mais eficientes com os escassos recursos hídricos em áreas marginalizadas, com alta produção agrícola e pecuária.
Por BORIS RAMÍREZ
CARACTERÍSTICAS DA COMUNIDADE
Minas de San Carlos e Cruz del Eje, na província de Córdoba, na Argentina, localizam-se na região do Grande Chaco Sul-americano. Minas está situada a 230 km, e Cruz del Eje, a 150 quilômetros da cidade de Córdoba. São regiões com problemas de vias de comunicação. Os habitantes se dedicam à criação de bovinos, caprinos, ovinos e equinos. Na produção agrícola cultivam milho, verduras, frutas e tabaco. Há grandes extensões de florestas, depósitos de chumbo e prata, e poucos rios atravessam suas terras.
SITUAÇÃO INICIAL
• Existem duas barragens construídas para irrigar 20.000 hectares de áreas cultivadas e a região de seca, dedicada ao gado. Nos últimos anos a diminuição do volume de chuvas aumentou.
• As comunidades, localizadas em 9 distritos (municípios), estão em uma região semiárida, com precipitações de 200 a 500 mm por ano, altas temperaturas no verão e solos de alta permeabilidade e elevada evapotranspiração.
• O acesso à água para irrigação e consumo diminuiu devido às alterações climáticas e a floresta nativa se deteriorou por causa de incêndios e desmatamentos. Houve um aumento no cultivo da soja, que chegou a 100% nos últimos 10 anos, e
há uma grande área para a criação de gado, com animais que consomem entre 2,5 a 5 milhões de litros de água por dia.
• Em muitas localidades da área os aquíferos baixaram, diminuindo a qualidade da água pelo aumento da concentração de sais e bactérias, e em muitos casos os poços utilizados para água de consumo humano, da fazenda e para a irrigação de hortas familiares, secaram.
COMO ESTA SITUAÇÃO FOI RESOLVIDA?
No começo de 2006 iniciou-se um processo de organização socio-territorial para identificar e priorizar problemas
regionais. Foi o ponto de encontro para cooperativas, Federação Agrária, grupos sociais, municípios, Ministério da Agricultura e Pecuária e Gestão de Recursos Hídricos de Córdoba. Foi solicitada assistência técnica ao Instituto Nacional de Tecnologia Agropecuária (INTA) e formou-se um Conselho Consultivo para o Sistema de Irrigação. Foi criado o “Projeto de Melhoria
do Uso da Água na Região”, que formulou um sistema que contempla dois aspectos : “Extrafinca” para potencializar o recurso com revestimento e melhoria dos canais, e “Intrafinca”, projeto de rede interna de irrigação pressurizada em determinado número de propriedades, que serviria de modelo para um aumento gradual na área irrigada pelo sistema.
RESULTADOS
No âmbito do Programa de Mitigação da Seca e de Adoção de Tecnologias de Irrigação Eficiente e de cursos especializados os resultados obtidos foram os seguintes:
• Trinta e cinco produtores tiveram sistemas de gotejamento em extensões de 3 a 6 hectares. Isto melhorou a eficiência na aplicação da água por meio de um sistema de irrigação pressurizada.
• Setenta produtores foram treinados no uso eficiente da irrigação e na comercialização de produtos.
• US$ 162 mil foram investidos pelo Plano Nacional de Segurança Alimentar do Ministério do Desenvolvimento Social da Nação. Este investimento foi complementado por US$ 117 mil em mão de obra das comunidades, como contrapartida.
• Dez comunidades foram beneficiadas com duas escolas agropecuárias que contam com internato misto, onde participam 240 alunos para o período de fortalecimento organizacional.
• Foram realizados trabalhos de aprofundamento de três poços em pedra e oito perfurações além da limpeza e a recuperação de três poços de antigas minas. Com estas obras se obtém água de excelente qualidade e taxas de fluxo de 2.000 a 20.000
litros por hora.
• Foram instalados 11 sistemas comunitários compostos de uma fonte de água comunitária, um depósito de 10.000 litros e armazenamento em tanques de 550 litros para cada família.
• Quarenta quilômetros de redes de distribuição de água, cavados em valas e montados, e a construção das bases dos tanques.
• Vinte módulos de captação de água com capacidade para cinco mil litros.

