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CULTURA

ACROBACIAS E MALABARES PELA ÁGUA

ACROBACIAS E MALABARES PELA ÁGUA

Guy Laliberté utiliza como cenário duas de suas melhores criações – o Cirque du Soleil e a Fundação One Drop – para unir estrelas do cinema e da música, líderes e ativistas mundiais em prol da proteção da água.

 

Cirque du Soleil e Fundação One Drop são grandes cenários
ACROBACIAS E MALABARES PELA ÁGUA

Guy Laliberté ouviu o chamado e não quis ficar de fora: entrou na água.
E com seu entusiasmo juntou estrelas do cinema e da música com líderes e ativistas mundiais na ajuda pela preservação, promoção e proteção dos recursos hídricos.


Ele era um artista das ruas, engolia fogo e tocava música folclórica... deixou seu país natal, o Canadá, e foi para a Europa como um peregrino. De suas vivências, aprendeu a reconhecer as carências do ser humano.

Hoje, Guy Laliberté é um empresário de sucesso, um filantrópico, um turista espacial e fundador e diretor executivo do circo mais famoso do mundo: o Cirque du Soleil. Laliberté encontrou na água um vínculo entre sua visão pessoal de sucesso - e ao
mesmo tempo comprometida - com um tema de ordem mundial: tornar a água acessível para todos.

Após fundar o Cirque du Soleil, Laliberté se dedicou a atrair voluntários para conscientizar seu público
sobre a água e o compromisso de lutar para que todos disponham dela. Fiel aos seus propósitos,
em 2007, criou a Fundação One Drop (Uma Gota), com sede em Montreal (Canadá).

Em seu manifesto “Meu sonho” lê-se: “a água é nosso vínculo comum, nos une como seres humanos e cidadãos do planeta… continuo sonhando com um mundo mais justo. Um mundo onde cada ser humano possa ter acesso à água limpa e possa
viver com dignidade e saúde. Os sonhos podem se tornar realidade quando todos investem nele suas
energias, força de vontade e criatividade”.

Por meio da Fundação One Drop, Laliberté faz com que a arte do circo, do teatro popular, da música, das artes visuais, da dança e do folclore sejam mecanismos de promover educação, participação
comunitária e sensibilização no que se refere à água. Mas acima de tudo um mecanismo para gerar projetos técnicos em países em desenvolvimento, a fim de melhorar o acesso ao recurso hídrico, garantir a segurança alimentar e promover
a igualdade de gênero.

Laliberté aportou US$ 100 milhões para o arranque da fundação, que deverá durar 25 anos. Convidou a todos os funcionários do Cirque du Soleil a doarem 1% de seus salários e vinculou organizações como Oxfam Internacional, Fundação Príncipe Albert II de Mônaco e RBC Projeto de Água Azul para prestarem assistência técnica e recursos financeiros. Também conseguiu fazer com que estrelas mundiais do cinema e da música como Salma Hayek, Bono e Shakira se unissem a
seus esforços para criar as condições necessárias para o desenvolvimento de programas na América Central, África Subsaariana e Oriente Sul da Ásia.

Esteja na Terra ou no espaço, Guy Laliberté olha mais uma vez para sua volta e encontra na água esse vínculo básico que nos torna seres humanos melhores. E é para isso que ele trabalha.


PARA MUDAR O MUNDO

Guy Laliberté é uma máquina de sonhos e realidades. Nesta entrevista, concedida à Aqua Vitae, ele fala um pouco mais
de sua missão especial.

O que leva Guy Laliberté a se comprometer de maneira tão direta com o tema água e com a luta para que ela seja entendida como um direito humano?
Tenho viajado pelo mundo e em minhas inúmeras viagens
para o exterior me fizeram enxergar o quão está seriamente
afetada a dignidade humana por conta da pobreza. A água e
a pobreza estão estreitamente vinculadas. Quando a população
tem acesso fácil à água, tem mais tempo para se dedicar a
atividades que lhes permitam melhorar sua qualidade de vida.

O que o senhor pretende dizer com o lema “Água para todos, todos pela água!”?
A água tem o poder de unir os povos. A crise hídrica dá a
oportunidade de nos unirmos como nunca antes e compartilharmos
recursos, conhecimentos, experiência e esperança
em torno de um objetivo comum: garantir o acesso universal
à água potável para proteger este valioso recurso.

Como foi criada à Fundação One Drop? De que maneira ela foi vinculada a instituições tão importantes como o Cirque du Soleil, a Fundação Príncipe Albert II de Mônaco, Oxfam International e RBC Blue Water Project?
Cirque du Soleil ®, Oxfam Internacional, a Fundação do Príncipe Albert II de Mônaco e a RBC são os sócio fundadores da Fundação One Drop. Para saber mais e participar do que fazemos convido a todos a acessar http://www.onedrop.org

Como o senhor conseguiu atrair personalidades como Shakira, Salma Hayek, U2 entre outros em prol do tema água?
Pedi a meus amigos que pensam igual a mim que fizessem parte do espetáculo “Missão Poética Social do Espaço”, para
conscientizar sobre o tema água. É assim como eles, e muitos outros, usam as artes e a cultura para criar consciência e compromisso em relação à água.

Circo, artes visuais, folclore, teatro, música e dança. Épossível sensibilizar por meio da arte?
Inspirados pela criatividade do Cirque du Soleil ® e por seu compromisso social há muitos anos, temos como princípio o fato de que através das artes e da cultura é possívelcontribuir para mudar o mundo. O enfoque da arte social utiliza uma combinação de teatro, circo, música, poesia e multimídia para informar, sensibilizar e mobilizar indivíduos e comunidades em relação às questões ligadas à água por todo o mundo.


DE OLHO NA AMÉRICA LATINA
A Fundação Onde Drop derrama suas ações na região.

NICARÁGUA. Em Estelí, desenvolve um projeto para melhorar o acesso à
água, aumentar níveis de saúde e produção agrícola, além de garantir segurança
alimentar. Este projeto impacta 1,2 mil famílias e deverá beneficiar
10 mil pessoas. Conta com um orçamento de US$ 4,4 milhões e um avanço
de 65%.

HONDURAS. A bacia do rio Guacirope enfrenta a seca. Esta região montanhosa
está desflorestada, o que reduz a capacidade do solo para retenção
de água e gera baixos rendimentos agrícolas, pobreza, problemas de saúde e
deterioramento ambiental. Este projeto beneficia mil pessoas e prevê atingir
mais de 15 mil pessoas. Seu orçamento é de US$ 5 milhões e um avanço
de 20%.

EL SALVADOR. O projeto é desenvolvido no Departamento de Francisco
Morazán e deverá ser iniciado em julho deste ano. Seu objetivo consiste em
criar uma unidade de microcrédito para projetos de água e saneamento.

HAITÍ. Os detalhes para fazer parte do plano de reconstrução e reabilitação
da ilha – que deve ter início ainda este mês - estão em andamento. O objetivo
será unificar programas para garantir acesso à água nas populações
afetadas pelo terremoto.