NOVEMBRO 2010
CULTURA
ARTE / ÁGUA / AMBIENTE - ESCULPIR A PERFEITA FUSÃO
Por JASON DE CAIRES TAYLOR
Escultor

400 esculturas em tamanho natural no fundo do mar, em Cancun (México) são o cenário perfeito para formar o maior museu subaquático do mundo
ARTISTA ÚNICO
Jason de Caires Taylor nasceu em 1974. De pai inglês e mãe guianesa, estudou na Camberwell College of Art, na Inglaterra. Taylor é mergulhador profi ssional e teve como inspiração artística os trabalhos de Richard Long, Christo
e Claus Oldenberg. Em 2006, fez sua primeira instalação de esculturas submersas, na costa ocidental
da ilha de Granada (Caribe).
Fotos: divulgação

Ajudar a Natureza promovendo a arte comprometida com o meio ambiente. Esta é a idéia central que impulsionou a criação
do maior museu subaquático de arte no mundo, localizado nas impressionantes e belas águas do mar do Caribe mexicano.
O sonho final é chegar a ter um total de 400 esculturas submersas neste lugar espetacular, localizado entre a costa ocidental
de Isla Mujeres, Punta Cancun e Punta Nizuc, onde já se encontram as primeiras esculturas que darão o ponta pé inicial de
uma experiência artística que combina a arte moderna com a preservação do meio ambiente.
Todo ano, a região é afetada pela passagem de furacões e tormentas tropicais, que impactam negativamente nos importantes
sistemas de arrecifes. Por isso, uma das principais intenções do museu é fazer com que as esculturas se tornem promotoras
da restauração natural destes sistemas, cuja relação com a prestação de serviços ambientais é direta.
Mergulhadores e snorkelers se encarregam de colocar e manter as obras em bom estado. A idéia é que elas não afetem o
meio ambiente, bem pelo contrário, que se tornem a base para o bem estar ecológico destes ecossistemas. Para isso, utilizamos concreto (uma mescla de cimento Portland, areia, pedra e água) com PH neutro, reforçado com barras de fibra de
vidro. Algumas esculturas têm elementos adicionais como cerâmica, vidro e papel, mas 95% de todos estes materiais são
inertes, a fim de atrair algas e vida marinha de maneira geral. Desta forma, é possível acelerar o processo de restauração do
arrecife.
Durante as últimas décadas, perdemos mais de 40% de nossos arrecifes de coral natural e os cientistas prevêem que, até
2050, 80% deles desaparecerão. É imperativo fazer algo para resgatá-los, e o que pode ser melhor do que misturar arte,
água e meio ambiente?
Esta idéia vem sendo desenvolvida há dez anos e o orçamento inicial foi de US$ 350 mil, financiados pelo governo mexicano, bem como organizações e pessoas físicas ligadas à proteção dos arrecifes. O museu será aberto em 2011 e poderá ser visto com o auxílio de equipamentos de mergulho, snorkeling ou de dentro de barcos com pisos de vidro. Convido a todos os leitores a conhecerem a iniciativa e viverem esta experiência artística surpreendente e natural.

