AQUAVITAE

NOVEMBRO 2011

AMBIENTE

FLORESTAS E ÁGUA: CONEXÃO VITAL E INDISPENSÁVEL

FLORESTAS E ÁGUA: CONEXÃO VITAL E INDISPENSÁVEL

No último relatório da FAO, de 2011, sobre a situação das florestas, o território mencionado apresenta uma avaliação tanto com aspectos luminosos quanto sombrios. A Aqua Vitae consultou autoridades latino-americanas de três setores vinculados ao manejo de bacias para informar o que é feito na região.

Por Boris Ramirez

As florestas são essenciais para a conservação do caudal hídrico porque agem como esponjas, graças à sua enorme capacidade de captar e armazenar líquido. Os solos das florestas conseguem absorver quatro vezes mais água da chuva do que os solos cobertos por pastos, e 18 vezes mais do que o solo descoberto.

A América Latina possui “cerca de 22% das florestas do mundo. Na América do Sul se encontra a maior floresta tropical, na bacia amazônica, a mesma que compreende uma enorme diversidade de espécies, habitats e ecossistemas”, afirma a Engenheira Florestal Doris Cordero, em seu livro intitulado “Los bosques de América Latina”, publicado em 2011.

Os especialistas clamam pela manutenção do equilíbrio florestal, em decorrência da exploração excessiva de madeira e do desmatamento para abrir terrenos para a agricultura e para a pecuária. A FAO indica que em 2010 cerca de 14% do total da área de florestas da região foi destinada principalmente para fins produtivos, frente a uma média de 30% na esfera mundial. Em números totais, essa área de florestas aumentou de 78,3 milhões de hectares em 2000 para 83,3 milhões de hectares em 2010, sendo que nessa década, em média, 57% das extrações foram para uso da madeira como lenha em processos produtivos e domésticos.

No último relatório da FAO, de 2011, sobre a situação das florestas, o território mencionado apresenta uma avaliação tanto com aspectos luminosos quanto sombrios. “A região que mais decepciona é a América Latina, porque é evidente que o desmatamento está ligado ao subdesenvolvimento e ao crescimento demográfico. Mas quando as sociedades começam a emergir economicamente, o desmatamento costuma inverter-se”, afirmou Eduardo Rojas, Subdiretor do Departamento Florestal da FAO, ao apresentar este relatório.

A Aqua Vitae consultou autoridades latino-americanas de três setores vinculados ao manejo de bacias para informar o que é feito
na região nos aspectos:

- Acadêmico. “Trabalhando no manejo integral de bacias percebemos que é necessário incorporar a floresta porque temos
enormes problemas de filtragem e concentração de água subterrânea devido à falta da capa florestal”. Engenheiro Gerardo
Orechia, Instituto Nacional de Tecnologia Agropecuária (INTA) da Argentina.


- Sociedade. “Honduras é um país com problemas decorrentes da derrubada excessiva de árvores. O nosso trabalho comunitário pela água nos obrigou a entender que para garantir quantidade e qualidade, também é necessário ter zonas
protegidas, nas quais as árvores sejam um elemento básico. Por isso, parte importante do nosso trabalho é um projeto de
viveiro e de reflorestamento”. Zumilda Duarte, Associação de Agências Administradoras de Água do Setor Sul do Parque
Pico Bonito, em Honduras. 

- Governo. “O manejo integral do setor de água nos levou a promover ações de poupança, reutilização e limpeza de bacias, somadas a esforços para reflorestar as bacias e não lançar lixo nos rios”. Sonia González, Direção Geral de Mudanças Climáticas, Desertificação e Recursos Hídricos, Ministério do Meio Ambiente, do Peru.

RELAÇÃO FUNDAMENTAL
A conclusão é evidente e categórica. O uso, a preservação e o manejo das florestas são indispensáveis para a preservação dos recursos hídricos. As florestas e fontes hídricas constituem um ecossistema no qual um não pode ser entendido sem o outro porque mantêm uma relação natural, da qual dependem o equilíbrio e o desequilíbrio no contínuo ciclo hidrológico.