AQUAVITAE

SETEMBRO 2009

OPINIÃO

JOVENS UNIDOS PELA ÁGUA

JOVENS UNIDOS PELA ÁGUA

O programa Água Jovem colabora para com a sensibilização das comunidades, onde os jovens interagem com a problemática da água, do clima e na prevenção de desastres naturais. Além disso, promove a água como eixo de desenvolvimento pelos serviços aportados ao setor de turismo, geração de energia, esportes, recreação, entre outros.

A América Central é uma região de enorme riqueza hídrica, produto de sua localização, topografia e da interatividade com importantes sistemas de circulação, presentes na atmosfera tropical. Isto faz com que o istmo aproveite o recurso hídrico para geração de energia, irrigação, produção de alimentos, transporte interoceânico e para a provisão de água que beneficia a população e o ecossistema. 

No entanto, também sofre periodicamente os embates de eventos hidrometeorológicos de grande envergadura e de relevante impacto destrutivo, tanto local quanto nacional, binacional e regional. Exemplos particulares são os furacões (Gert, Juana, César, Keith, Iris e, em especial, o Mitch). A região também tem sido afetada pelo resto da família de ciclones tropicais (depressões e tormentas) que, de maneira reiterada e própria de cada estação chuvosa, geram impactos destrutivos mais localizados, os quais se acumulam no tempo e aumentam a vulnerabilidade dos países. Da mesma forma, freqüentes secas  associadas à variação do clima são importantes fontes de estragos e perdas no setor produtivo da região.

Com base na série de acontecimentos produzidos pelos eventos climáticos extremos e por seu efeito sobre a população e o desenvolvimento, os Presidentes da América Central responderam a esta situação durante a XX Reunião, ocorrida em outubro de 1999, na Guatemala, aprovando o Plano Regional de Redução de Desastres (PRRD) e o Marco Estratégico para a Redução de Vulnerabilidades e Impactos dos Desastres na América Central. Durante esta reunião, foi aprovado também o Plano de Ação para o Manejo Integrado da Água no Istmo Centro-americano (PACADIRH), o qual é coordenado pelo Comitê Regional de Recursos Hidráulicos (CRRH), agência do Sistema de Integração Centro-americana, especializada em temas meteorológicos
e de gestão integrada dos recursos hídricos.

Dentro deste marco de ações estratégicas estabelecidas pelo Plano estão: “Alcançar uma maior sensibilização pública sobre
a necessidade do manejo integrado da água e seu valor, além de sensibilizar tomadores de decisão e o público em geral e
promover uma nova cultura hídrica”.

Atendendo à esta vontade política, foi criado no CRRH o Programa Água Jovem, cujo objetivo é promover, por meio de movimentos jovens, uma nova cultura sobre o uso da água, de tal forma que a nova geração valorize este recurso natural em todos os seus aspectos e que contribua com a sensibilização da população em geral formando líderes comprometidos com a problemática. 

O programa espera sensibilizar as comunidades onde os jovens atuam em torno dos problemas hídricos, climáticos e na prevenção de desastres, envolvendo suas famílias e, portanto, seus semelhantes. Promove ainda a água como eixo do desenvolvimento pelos serviços aportados ao setor de turismo, a geração de energia, esportes, recreação, entre outros.

Dentro do contexto de redução da vulnerabilidade e prevenção de desastres relacionados ao clima e à água, o Água Jovem promove a participação direta dos jovens no intercâmbio de informação científica e oportuna para suas comunidades, além de atividades produtivas. O Programa utiliza a tecnologia atual como um elemento facilitador na conscientização em torno do tema água. Nesta mesma linha, o CRRH estimula os grupos jovens mediante o aporte de equipamentos de informática
e tele conexões.

Atualmente, o programa encontra-se na fase de capacitação dos grupos juvenis na gestão integrada dos recursos, por meio da interatividade com o Programa Água e Educação da UNESCO e das alianças com sócios estratégicos, como a UICN Meso-américa, com quem o CRRH fechou cordos de cooperação para a cobertura do tema da nova cultura em relação ao uso da água por parte dos jovens. 

No futuro, o CRRH e o Água Jovem pretendem estabelecer campos de boas práticas em cada país da América Central, onde possam ser evidenciados exemplos de gestão integrada dos recursos hídricos, estimulando a participação dos setores acadêmicos, de ONGs, governos e do setor privado ligado à água.

A Aqua Vitae não emite opinião sobre os critérios expressados nesta seção de opinião, mas está aberta a diferentes perspectivas em torno do manejo do recurso hídrico.