AQUAVITAE

NOVEMBRO 2011

INTERNACIONAL

LONDRES LIMPA SUA CARA

LONDRES LIMPA SUA CARA

Um dos maiores e mais ambiciosos projetos da infraestrutura hidráulica mundial coloca novamente a Grã Bretanha na linha de frente, dando respostas modernas ao aumento da capacidade exigida pelos sistemas de esgoto.

O rio Tâmisa corta a cidade de Londres e é um de seus principais motores de atividade. Abastece água para a população, funciona como meio de transporte, é um ponto turístico e de lazer e ainda gera energia.


Entretanto, ao longo de sua história, o Tâmisa também foi a causa de doenças e inundações devido a níveis de contaminação
e despejo de águas residuais em suas fontes. Para evitar esses inconvenientes, um ambicioso projeto de infraestrutura hidráulica,
conhecido como Thames Tideway Plan, vira realidade na cidade olímpica de 2012.


O problema a ser resolvido não é insignificante: por ano, são despejadas no rio um total de 32 milhões de toneladas de águas residuais sem tratamento. Para solucionar esse problema, o projeto tem como objetivo melhorar a capacidade do sistema de esgoto de Londres.


Para isso, deve-se controlar e prevenir transbordamentos de águas residuais pela passagem do rio Tâmisa no Tideway (parte do rio que está sujeito às marés) em seu curso por Londres. Segundo a empresa Thames Water Utilities, essa enorme obra de engenharia hidráulica vai atender ao cronograma de trabalho.

MÃOS À OBRA
A solução adotada contempla a construção de um túnel ou coletor de todas as águas residuais, que emanam das 34 eclusas do rio Tâmisa, assim como a construção de um segundo túnel, junto ao rio Lee.

De acordo com Phil Stride, chefe do projeto, “o trajeto que o túnel deve percorrer está sendo muito bem estudado, a fim de recolher de uma forma mais eficiente as águas residuais e pluviais ao longo de toda a cidade”.

Hoje, o problema enfrentado por alguns setores da cidade de Londres é que o sistema de esgoto recolhe tanto águas residuais como pluviais e, em alguns casos, a quantidade de líquido ultrapassa a capacidade do sistema, gerando inundações. Pretende- -se solucionar isso com um sistema de eclusas conectadas em diferentes pontos, para recolher apenas as águas residuais, transportando- as às estações de tratamento. As águas pluviais serão recolhidas por coletores, que ajudarão a canalizá-las, evitando assim que se misturem.

A proposta consiste em construir um túnel de armazenamento e transferência (dos dois tipos de água em separado) na maior extensão abaixo do leito do rio Tâmisa, entre a comunidade de Hammersmith, na parte oeste, e a de Beckton, na parte leste (ver mapa).

Essa obra, proposta desde o início da década de 1990, conta com a participação de instituições públicas e privadas, chefiadas pela empresa prestadora dos serviços de água e saneamento Thames Water Utilities Ltd, pela Agência de Meio Ambiente, pelo Departamento de Meio Ambiente, Alimentação e Assuntos Rurais e pela Prefeitura de Londres.

Os estudos realizados até hoje demonstram que as obras melhorarão a qualidade das águas do rio, sendo possível atender aos parâmetros estabelecidos pela Agência Européia do Meio Ambiente.


Esse ambicioso projeto está na mira de muitos setores por ser uma resposta moderna ao tratamento de águas residuais em 
cidades com grande concentração demográfica que, assim como Londres, são cortadas por um rio.