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Cultura
edição 3
Encontro de oportunidades

A cidade do México viveu uma semana agitada com a conclamação mundial para participar do IV Fórum Mundial da Água, no qual milhares de pessoas de todo o planeta reuniram-se em um único lugar para discutir sobre um tema de importância comum: o presente e o futuro da água. Além das mais de 200 sessões apresentadas, quais foram os resultados deste importante encontro?

A OPINIÃO DE PARTICIPANTES concorda em que a principal conquista foi exatamente conseguir que representantes das mais diversas organizações de muitos países sentassem à mesma mesa para compartilhar experiências, discutir e recomendar novas opções para resolver os problemas associados ao fornecimento de água e saneamento.

Força agregadora
Se houver algo em que existe consenso com relação ao IV Fórum Mundial da Água é que ele conseguiu reunir as pessoas para trocar experiências – com as quais todos puderam aprender – e estabelecer parcerias. “Pela primeira vez, todos vieram sentar à mesma mesa: ministros, parlamentares, representantes locais, ONGs, empresas, instituições internacionais e profissionais. Este fórum teve uma força agregadora.

As mulheres e os jovens tiveram uma maior representação que no passado”, afirma Loïc Fauchon, presidente do Conselho Mundial da Água, principal organizador dos Fóruns Mundiais da Água. Para Fauchon, outro benefício do encontro foi que assuntos como o direito à água ou seu financiamento foram objeto de trabalhos preparatórios, de publicações e de propostas concretas. Além disso, a partir de múltiplas posições, às vezes divergentes, foi instituído o diálogo e houve convergência em alguns assuntos. Rubén Avendaño, especialista sênior em infra-estrutura do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), concorda que o grande mérito do Fórum é que as pessoas troquem opiniões e experiências de todo o mundo, sobre um tema comum. Este intercâmbio de experiências representa uma das mais importantes conquistas que Avendaño destaca: “O fórum permitiu aos participantes e às pessoas em geral conhecerem experiências funcionais de todas as partes do mundo, proporcionando um importante aprendizado sobre como os problemas de água estão sendo resolvidos em outras latitudes”. Uma visão similar tem María Angélica Alegría Calvo, representante para América Latina da Associação Holandesa Aliança de Gênero e Água, que afirma que, considerando o enfoque do Fórum em “Ações locais para um desafio global”, na prática foi favorecida a inclusão na base de dados de mais de duas mil experiências locais, muitas das quais foram apresentadas nas sessões temáticas.


O IV Fórum Mundial da Água contou com mais de 20 mil participantes e mais de 200 sessões.

Resultados práticos
Embora os Fóruns Mundiais da Água não sejam planejados pare ter efeitos práticos imediatos, logo após o evento já se viu alguns resultados concretos. Um exemplo disto: o Conselho Mundial da Água associou-se a algumas iniciativas concretas locais ou mundiais que foram anunciadas durante o encontro. Neste sentido, o Conselho vai propor um programa denominado “Água para as escolas” (Water for School), com a finalidade de que mil centros educativos no mundo todo tenham acesso à água potável e a seu tratamento nos próximos três anos.

Conforme explicou Fauchon, em conjunto com a comunidade internacional, também decidiu-se apoiar a criação de escolas regionais de manutenção, de forma a capacitar milhares de técnicos e administradores, que são capazes de fazer funcionar os serviços públicos de irrigação, distribuição e tratamento da água. O fato de conhecer experiências concretas compatíveis com o trabalho realizado pelo BID na América Latina, e a possibilidade de estabelecer contatos com seus organizadores, é outra das conquistas que – destaca Avendaño – o Fórum conseguiu.

No entanto, esclareceu que os resultados práticos serão muito particulares para cada pessoa ou organização. Como exemplo, comentou que ele assistiu a uma sessão muito interessante sobre uma experiência de financiamento que teve muito sucesso e que poderia ser reproduzida em outros lugares. Para María Angélica Alegría, com a realização do IV Fórum Mundial da Água, a América Latina ficou muito fortalecida, dada a grande quantidade de atividades preparatórias.

“O contato entre diferentes organizações de todo tipo, privadas, da sociedade civil, acadêmicas e públicas foi muito intenso e estes grupos obtiveram poder ou saíram fortalecidos”, disse. Da mesma forma, obteve-se a criação de redes Latino-americanas, como a FAN (Fresh Action Network) Sudamérica, que realizou em maio passado sua reunião inicial de formação.

Números que Importam:

A magnitude de uma reunião como o IV Fórum Mundial da Água revela em seus números os resultados de muitos meses de organização, de conquistas, de participação, de documentação, tudo com uma mesma finalidade: ampliar o debate e buscar consensos na questão da água.

Alguns destes números são os seguintes:

SESSÕES TEMÁTICAS
Total de sessões
206
Sessões exclusivas do México
44
Sessões internacionais
162
Sessões de grupos da sociedade civil
35
Sessões especiais
21
AÇÕES LOCAIS
Total de ações locais registradas
1.631
Ações locais em sessão
552
Ações locais em cartel
60
INSTITUIÇÕES PARTICIPANTES EM SESSÕES TEMÁTICAS
Total de instituições que participaram
323
Universidades e profissionais
113
Universidades e profissionais
48
Governamentais
82
Empresas
9
Organizações da sociedade civil
71
Atores locais e especialistas
1.236

Balanço
Outra das conquistas que, em nível interno, o IV Fórum Mundial da Água teve, foi a pluralidade na participação de organizações de todo tipo.
“Os números falam por si mesmos: 19 mil participantes, quase 150 delegações participaram da conferência ministerial, 120 prefeitos, 150 parlamentares, 340 empresas na exposição, cerca de 1.400 jornalistas”, destacou Fauchon. Acrescentou que a sociedade civil também esteve presente com a representação de mais de 800 organizações.

A possibilidade de que governos como os da Bolívia ou da Venezuela, com posições muitas claras com relação à possível ingerência de outros países nos serviços de água e saneamento, e de que suas opiniões encontrassem eco, reflete esta abertura do Fórum, segundo Avendaño. “Fiquei surpreso em ver como a Santa Sé tem uma opinião sobre a questão da água e que também houve presença religiosa ali, digamos que houve um nível muito elevado de oportunidades”, acrescentou.

De acordo com os números de participação de diversas organizações, que María Angélica Alegría exibe, parece que desta vez a sociedade civil pôde participar de uma maneira melhor. No entanto, ela acredita que isto não significa que foi uma participação equilibrada, devido ao custo de inscrição – que considera muito alto – e ao fato de não ter havido uma política oportuna sobre isenções ou descontos reais que permitissem a participação de um maior número de organizações sem fins lucrativos, com pouca disponibilidade financeira.

“Pela primeira vez, todos vieram sentar à mesma mesa: ministros, parlamentares, representantes locais, ONGs, empresas, instituições internacionais e profissionais”
LOÏC FAUCHON, PRESIDENTE DO CONSELHO MUNDIAL DA ÁGUA.


A ampla representação de culturas também foi destaque no Fórum.

Compromisso com o futuro da água

Por ocasião do IV Fórum Mundial da Água houve várias declarações de diversos setores interessados na questão da água, que manifestaram o interesse dos diferentes grupos em continuar a participar da luta pela água e na obtenção dos Objetivos de Desenvolvimento do Milênio.

Declaração Ministerial
Declaração dos Prefeitos e Autoridades Locais
  A Conferência Ministerial contou com a participação de 78 ministros do Ambiente ou da Água, assim como de 149 delegações destas pastas.   Pela primeira vez se reuniram prefeitos de 120 cidades de todo o mundo.
 
Declaração do México com base no Encontro Mundial de Legisladores da Água
Declaração dos Jovens sobre a Água
  O Encontro, que foi realizado pela primeira vez, contou com a presença de mais de 100 legisladores, provenientes de 17 países.   Assistiram ao Fórum Mundial Juvenil da Água 95 jovens.
 
Manifesto da Água dos Meninos e das Meninas
  Participaram do 2° Fórum Mundial da Água de Meninos, Meninas e Adolescentes, 112 crianças, representando 30 países.

Fonte: www.worldwaterforum4.org.mx

A utopia dos Objetivos de Desenvolvimento do Milênio
Da mesma forma, ficou claro para os representantes dos países participantes que não conseguirão cumprir a tempo os Objetivos de Desenvolvimento do Milênio (ODM), no aspecto de água e saneamento, que eram esperados para 2015, na opinião de Avendaño. “Creio que os países se deram conta de que não vão ter tempo. O próprio fato de realizar o Fórum obrigou muitos países a ver que não estão cumprindo, que não conseguiram e que, além disso, nos resta pouco tempo”, comentou o representante do BID, que classificou isto como um “sinal de alerta”. NOVA CULTURA Por ocasião do IV Fórum Mundial da Água houve várias declarações de diversos setores interessados na questão da água, que manifestaram o interesse dos diferentes grupos em continuar a participar da luta pela água e na obtenção dos Objetivos de Desenvolvimento do Milênio.

Compromisso com o futuro da água María Angélica Alegría assegura que o Fórum teve um enfoque firme nos assuntos de água e saneamento, precisamente o mesmo interesse manifestado no Objetivo N° 7 de Desenvolvimento do Milênio, que pretende dotar de água segura um terço da população mundial que carece dela e oferecer saneamento adequado à metade das pessoas que não o têm. “Não sei se o Fórum poderá colaborar na obtenção da meta, mas ajudou enormemente a sensibilizar o mundo sobre este tema”, afirmou. Para Fauchon, “a voz da água” deve continuar a ser ouvida, e as mensagens que foram amplamente transmitidas no México devem ficar na mente daqueles que tomam as decisões, assim como na do público em geral, para que este recurso se transforme, de maneira definitiva, em uma prioridade no planeta. O próximo Fórum Mundial da Água será realizado no continente africano em 2009

edição 4
Água e higiene: Ensino a partir de uma perspectiva sustenável e holística

Existe um ditado popular que diz popular que diz: "Bendita seja a água, por ser saudável e ser barata", entretanto a cada ano mais de cinco milhões de pessoas morrem como conseqüência de doenças relacionadas com a água, segundo dados de 2004 da Organização Mundial da Saúde. Deste número, 90% são crianças menores de cinco anos, principalmente nascidas em países em desenvolvimento.

Devido ao flagelo que estes números trágicos representam para a humanidade, entre outros igualmente alarmantes, é que nos últimos anos diversas organizações internacionais, estados e diversas sociedades civis colocaram na mira o problema da gestão da água partindo de uma perspectiva sustentável e holística, que inclui também o ensino de hábitos de higiene.

Desde a Organização das Nações Unidas e diversos governos, passando por entidades financeiras supranacionais, até o setor privado e as comunidades organizadas, diferentes setores iniciaram uma série de estratégias e ações para concretizar um desenvolvimento integral de um dos recursos mais valorizados e fundamentais para a vida, a água.

O acesso com qualidade a este elemento vital é um direito básico das pessoas. É o que emana do artigo 25 da Declaração Universal dos Direitos Humanos, adotada e proclamada pela Resolução da Assembléia Geral 217 A (iii) de 10 de dezembro de 1948 da ONU: "Todas as pessoas têm direito a um nível de vida adequado ue lhes assegure, assim com a sua família, a saúde e o bem estar, e em especial a alimentação, o vestuário, a moradia, a assistência médica e os serviços sociais necessários". Água e saúde é um binômio inquestionável. Desde o simples ato cotidiano de defecar em uma privada ou beber um refrescante copo d'água, até gozar de saúde, há um trajeto no qual uma grande quantidade de ações ocorrem e são definitivas para viver uma vida com dignidade.

O Relatório sobre o Desenvolvimento dos Recursos Hídricos no Mundo "A Água, uma responsabilidade compartilhada" das Nações Unidas para o ano de 2006, o expressa em sua análise: "O estado da saúde humana está estreitamente vinculado a uma série de condições relacionadas com a água: potabilidade, saneamento adequado, redução da carga de doenças relacionadas com a água e existência de ecossistemas de água doce saudáveis".


...42% das pessoas no mundo não têm acesso a um
banheiro, situação por exemplo, que exibe as verdadeiras
condições de higiene em quase metade das casas do planeta.


Cultura da higiene

Nesta questão do acesso à água e de viver de forma saudável, a cultura da higiene intervém como elemento crucial. Mas não é uma responsabilidade apenas das pessoas que utilizam o líquido para preparar alimentos ou para tomar um banho, é uma responsabilidade compartilhada entre diversos atores, cujo compromisso com o desenvolvimento sustentável do recurso hídrico para benefício dos seres humanos deve ser inadiável.

Claro está que a educação e a sensibilização da população sobre a importância de práticas e hábitos de asseio são críticas para que melhorem radicalmente os indicadores de saúde dos países em desenvolvimento. Mas em princípio, deve-se fornecer a água potável como um serviço acessível para todas as pessoas.

Na América Latina, a porcentagem da população urbana com acesso a um abastecimento de água e saneamento é comparativamente melhor do que na África e na Ásia, e levemente menor do que na Europa; entretanto, em outros indicadores sua eficiência diminui (Ver quadro: "Cobertura de água potável em países da América Latina"). Estes dados alentadores perdem força quando se considera, por exemplo, que embora a região conte com 30% dos recursos hídricos do mundo, a contaminação da água devido às águas residuais domésticas torna difícil o acesso à água potável em algumas cidades.

O relatório "A água, uma responsabilidade compartilhada" vai mais além de sua exortação para a tomada de decisões políticas e o avanço efetivo na gestão integrada do recurso hídrico, trazendo à baila assuntos como a corrupção e a falta de investimentos no setor. "A insuficiência de água se deve, principalmente, a um abastecimento ineficaz e não a um déficit do recurso. Tal insuficiência se deve, muitas vezes, a uma má gestão, à corrupção, à falta de instituições adequadas, à inércia burocrática e à falta de investimentos, tanto em capacitação humana, como em infra-estruturas físicas”.

Da mesma forma, o documento enfatiza a importância da educação sobre o tema: "A escassez de água e o aumento da contaminação são desafios de origem tanto social como política, que podem ser enfrentados modificando a demanda e o uso da água, mediante a educação, uma maior sensibilização e através da reforma das políticas hídricas.”

COBERTURA DE ÁGUA POTÁVEL EM PAÍSES DA AMÉRICA LATINA

País
Urbana 2002
Rural 2002
México
97%
72%
Costa Rica  
100%  
92%  
El Salvador  
91%  
68%  
Guatemala  
99%  
92%  
Honduras  
99%  
82%  
Nicarágua  
93%  
65%  
Panamá  
79%  
89%  
Argentina  
97%  
n.d.  
Bolívia  
95%  
68%  
Brasil  
96%  
58%  
Chile  
100%  
59%  
Colômbia  
99%  
71%  
Equador  
92%  
77%  
Guiana  
n.d.  
n.d.  
Paraguai
100%  
62%  
Peru 
87%  
66%  
Suriname  
98%  
n.d.  
Uruguai 
98%  
n.d.  
Venezuela  
85%  
70%  

Fonte: UNDP 2005 em: Documento "Américas", IV Fórum Mundial da Água



Água, saneamento e higiene

Sem um marco regulatório adequado seria impossível que os países comprometidos com os Objetivos de Desenvolvimento do Milênio 2005-2015 das Nações Unidas cumpram a meta 10 do objetivo 7 de "reduzir à metade, para o ano de 2015, a porcentagem de pessoas sem acesso sustentável à água potável e ao saneamento básico".

Ao abrigo desta proposta internacional, a Força Tarefa sobre a Água e o Saneamento, equipe consultiva independente do Projeto do Milênio da ONU, definiu o trio de palavras abastecimento de água, saneamento e higiene como a pedra angular da saúde pública e do bem-estar social e econômico.

Outro marco relacionado com os atuais esforços pela gestão integral da água é a realização do IV Fórum Mundial da Água, celebrado em março de 2006 no México. Em seu apartado "Água e saneamento para todos", também foi analisado e discutido o tema de saneamento e higiene.

Neste marco, um dos relatórios finais chamou a atenção sobre o fato de que estes dois eixos "desaparecem durante as fases de planejamento, formulação de políticas, orçamento e implementação, enquanto que a maior parte do esforço e dos recursos são alocados para o abastecimento".
Além disso, o documento foi claro na afirmação de que os dois conceitos "precisam movimentar-se para a frente e para o centro", uma vez que são elementos para um desenvolvimento com dignidade.
Conforme evidenciado, existe uma realidade que não é colocada sobre a mesa: 42% das pessoas no mundo não têm acesso a um banheiro, situação por exemplo, que exibe as verdadeiras condições de higiene em quase metade das casas do planeta.
Trazer a público esta realidade e debatê-la é de grande importância, pois segundo alerta o documento "Água e Saneamento para todos" resultante do IV Fórum Mundial da Água, a principal causa da transmissão de doenças relacionadas com a água é o ciclo fecal-oral.
Por isso, o relatório conclui que é de grande importância o adequado fornecimento de água e saneamento, em conjunto com comportamentos higiênicos (especialmente lavagem das mãos, manejo e armazenamento seguro de água e a adequada eliminação de fezes).

Para romper o ciclo fecal-oral, é urgente a adoção de práticas saudáveis (mudança cultural) e o uso de tecnologias que contenham e saneiem a matéria fecal. Os países devem enfrentar o desafio de melhorar o serviço de saneamento, com estratégias diferentes das que foram empregadas para expandir o acesso ao fornecimento de água. Estas ações devem ser dirigidas não apenas à construção de condições adequadas, mas também a entender o quê motiva as pessoas a atuar de determinadas maneiras. A sensibilização, a educação, a mobilização, a informação e o marketing social dirigidos às famílias, comunidades escolas e autoridades públicas, podem proporcionar uma mudança cultural com a qual as sociedades em desenvolvimento poderão verdadeiramente avançar.


O Ecoclub da Bolívia desenvolveu projetos de tecnologias apropriadas em água potável e saneamento. Cortesia de Ecoclub da Bolívia. Projeto Adolescente Água e Juventude de Santa Cruz

edição 5
Água: Pensando e fazendo

O Conselho é formado por uma Rede Regional de cerca de 60 Conselhos Empresariais para o Desenvolvimento Sustentável (Business Council for Sustainable Development - BCSD, conforme a sigla em inglês), tanto nacionais como regionais, além de organizações associadas, de diferentes países que vão da China até o Chile, e dos Estados Unidos até a Nova Zelândia. Existem Conselhos Empresariais, ou sócios, em todas as principais nações da América Latina, muitos dos quais trabalham com programas que dizem respeito à água.

Mudanças globais
O uso da energia e seus efeitos sobre o clima estão alterando os padrões hidrológicos em todo o mundo. Para o ano de 2025, cerca de 60% da população mundial estará vivendo em países com carência de água. O desenvolvimento industrial é um dos principais fatores que tem determinado o aumento na demanda. Embora a água para a agricultura ocupe o primeiro lugar na lista de usos deste recurso, isto irá mudar à medida que as economias desenvolvidas optarem pela indústria em vez da agricultura, visando o crescimento econômico.

O fornecimento de água doce é um dos serviços que está sendo mais rapidamente degradado. A escassez de água vai afetar a capacidade dos ecossistemas para produzir outros serviços, como alimento, pescado e fibras. Assim, há uma grande quantidade de empresas que podem fazer algo pela água, mas como devem pensar sobre a água Isso parece uma pergunta trivial, mas as ações não são efetivas a menos que estejam apoiadas em uma análise séria.

A questão é complexa e tem implicações políticas, sociais, econômicas, relativas aos direitos humanos, espirituais, ambientais e de lazer. Todo mundo entende que a água é essencial para a vida. Mas muitas pessoas só agora começam a compreender o quanto ela é essencial para a vida: alimento, energia, transporte, natureza, lazer, identidade, cultura, normas sociais além de todos os produtos usados na base alimentar.

Foi assim que o WBCSD imaginou uma forma mais positiva e voltada à ação. Primeiro conseguiu que uma série de membros do WBCSD se unissem ao Projeto Água. Envolveram-se empresas que vendem água, com sabor ou sem sabor, como a Suez; companhias que conduzem água, como a Amanco; companhias que usam a água em operações industriais e de perfuração, como a Shell. O processo de elaboração de cenários envolve cerca de 200 pessoas, das quais cerca da metade tem ligação com empresas.

Cenários
Eles decidiram fazer um exercício de cenários. Sempre é válido lembrar que pensar em cenários é pensar no futuro, mas sem tentar prevê-lo, e sim como uma forma de se preparar. O exercício de construir cenários precisa incluir uma grande quantidade de possibilidades a respeito “do que aconteceria se”, criando possibilidades a partir delas. O resultado do trabalho do WBCSD foi uma publicação chamada “Negócios no mundo da água: os cenários do H2O”. Ela oferece três histórias sobre o papel das empresas em relação ao crescente problema da água.

Os três cenários concordam que no futuro próximo – como resultado de mudanças em ambos os sistemas - humano e natural, que afetam a disponibilidade, o acesso, a compra e a qualidade da água – será de grandes desafios para toda a Humanidade. Uma das conclusões é que as empresas não podem sobreviver em uma sociedade que tenha sede e portanto devem tomar parte nas soluções.

Decisões conjuntas
Estes cenários foram retomados pelo Banco Mundial e na Semana Mundial da Água em Estocolmo em agosto do ano 2007. Foram convidados participantes de empresas, ONGs e universidades para conhecê-los, porque eles oferecem visões em vez de respostas de políticas. Os cenários tendem a unir as pessoas, criam uma linguagem comum e um contexto compartilhado para uma conversa sobre o futuro da água.

Herramienta global
En la primera presentación pública de los escenarios se encontró que estos sirvieron al propósito de ser un marco para la discusión de los públicos de interés, ayudando a derivar importantes argumentos emocionales o suposiciones. Además de usar los escenarios para una lluvia de ideas e iniciar discusiones internas en las empresas alrededor del agua que permitan usarlas como herramienta para probar su estrategia de negocio interna. El WBCSD trabaja en una “herramienta del agua” que ayudará a las compañías a monitorear y manejar sus impactos globales en este recurso. Los problemas con el uso del agua pueden perjudicar a las empresas desde varios aspectos: lesionando sus licencias para operar, estancando activos en áreas repentinamente impactadas por agua, incrementando los costos de producción, aumentando la presión regulatoria y comunal, afectando la salud de los empleados, dañando la imagen de la marca y limitando el crecimiento de los mercados de consumidores.

Os participantes foram questionados sobre uma de três perguntas, cada uma relacionada às três histórias:

  • Que mecanismos precisariam ser criados para obter melhores práticas de sustentabilidade da água e soluções apropriadas?
  • Quem deveria ter um lugar na mesa de discussão para a alocação imparcial da água e por quê?
  • Qual seria uma estrutura de administração para um manejo integral da água e que pudesse concretizar seu estabelecimento?

Na discussão da primeira pergunta, os participantes acharam que há uma necessidade de mudança na forma de pensar com relação ao reuso e à reciclagem da água e quanto à infraestrutura e à eficiência, como utilizar recursos que são usados na produção e que não estão maximizando seu rendimento.

Para a segunda pergunta os participantes responderam: todo o mundo.

Para a terceira pergunta, os participantes acharam que nenhuma estrutura de administração pode cuidar de todo o sistema. Ao mesmo tempo, o ponto de vista geral era de que isto só poderia ocorrer se fosse isolada das políticas do momento, se houvesse uma hierarquia funcional de administração (local, regional, nacional) e um marco da administração do risco em nível global.

Ferramenta global
Na primeira apresentação pública dos cenários eles serviram ao propósito de ser um ponto de partida para a discussão dos públicos de interesse, ajudando levantar importantes argumentos emocionais ou suposições. Além de usar os cenários para uma tempestade de idéias, e iniciar discussões internas sobre a questão da água que possam ser usadas como ferramentas para testar a estratégia de negócios interna.

O WBCSD trabalha em uma “ferramenta da água” que irá auxiliar as empresas a monitorar e administrar seus impactos globais sobre este recurso. Os problemas com o uso da água podem prejudicar as empresas em diversos aspectos: prejudicando suas licenças para operar, bloqueando ativos em áreas repentinamente preocupadas com a água, aumentado os custos de produção, intensificando a pressão regulatória e da comunidade, afetando a saúde dos empregados, danificando a imagem da marca e limitando o crescimento dos mercados de consumidores.


Disponibilidade, qualidade, acesso à água... é preciso motivar as empresas para que compreendam que seus públicos interessados são muitos... inclusive os que ainda são menores de idade, e nem são clientes. Fotos H. Armstrong Roberts/Retrofile/Getty Images e Tim Graham/Getty Images

Administrar tais riscos exige uma compreensão das necessidades de água da empresa em relação com seus ambientes locais:

  • Disponibilidade de água (atual e projetada);
  • Qualidade da água;
  • “Estresse” da água – pessoas, ambiente e agricultura;
  • Acesso a fontes seguras de água para beber;
  • Acesso a saneamento;
  • População/crescimento industrial.
As metas para uma nova ferramenta da água – além de livre e de fácil utilização – devem incluir:
  • Fornecer uma relação automática entre as operações de uma companhia global e chaves externas relacionadas com dados da água;
  • Possibilitar a criação de Indicadores da Iniciativa Global de Informe (GRI, conforme a sigla em inglês): inventários, risco e desempenho
    métrico e mapeamento geográfico;
  • Permitir às empresas estabelecer riscos relacionados com a água em sua carteira de clientes para priorizar ações;
  • Estabelecer uma abordagem padrão e uma série comum de dados para avaliações globais;
  • Favorecer análises de mercados de consumidores.
A ferramenta terá duas seções. A primeira pode ser baixada do livro de Excel para inventário dos Indicadores da GRI, conexão de dados externos e cálculos métricos. A segunda é um programa de mapeamento on-line, baseado nas informações do inventário de água da companhia. Os dados das companhias são mantidos em sigilo para cada usuário e não são armazenados no site do WBCSD na internet