A água é o princípio da vida. No entanto, há mais de 1 bilhão de pessoas em todo o mundo que não têm acesso a ela; e mais que o dobro – 2 bilhões e 400 milhões –, não dispõem de saneamento. Para 2025, estima-se que cerca de 3 bilhões de seres humanos sofrerão as conseqüências da escassez de água.
No Brasil, segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografi a e Estatística (IBGE), cerca de 97% dos municípios dispõem de abastecimento de água e 64% das residências são atendidas pelas redes de distribuição. A situação é ainda pior quando se fala de saneamento básico: apenas 52% dos municípios brasileiros possuem rede de esgoto sanitário. São números tímidos frente à importância do país no cenário hídrico mundial. Sozinho, o Brasil é responsável por cerca de 14% da água doce superfi cial do planeta, segundo a Agência Nacional das Águas (ANA). Esses dados indicam que ainda há um longo caminho a percorrer para proporcionar melhores condições e qualidade de vida para a população brasileira.
Como empresa líder e protagonista na condução de água na América Latina nós, da Amanco, sentimos a necessidade de ter um papel relevante na divulgação das ameaças e oportunidades que a insufi ciência de água limpa gera na sociedade. É um assunto de extrema relevância, não só para o mercado, mas principalmente para o futuro das populações latino-americanas, razão pela qual achamos que não se deve deixá-lo apenas nas mãos dos governos e das instituições internacionais de desenvolvimento.

Surgiu assim AQUA VITAE, uma publicação trimestral que pretende marcar pauta na agenda latino-americana da água e potencializar uma nova cultura de aproveitamento do líquido abordando o assunto com uma visão integral. Além de criar consciência sobre os diversos e graves problemas que acompanham hoje a questão da água na América Latina, interessa-nos promover uma tribuna relevante para expor as soluções, e fomentar a participação cidadã.
A gestão do recurso, os marcos legais, novas tecnologias e modalidades de negócios, impactos ambientais e efeito sobre a saúde serão alguns dos aspectos a considerar. Também daremos continuidade ao discurso global, aos acordos internacionais e sua implementação.
Nosso público-alvo são todos os atores neste assunto: governos, organismos internacionais, ONGs, grupos que trabalham pela preservação do ambiente, associações comunitárias, acadêmicos, profi ssionais e membros da sociedade civil em todos os países latino-americanos nos quais atuamos.
Com AQUA VITAE, a Amanco dá um passo além de seu papel de proporcionar aos clientes tecnologias e propostas inovadoras para a condução e para o uso mais efi ciente da água. Esta publicação transforma-se em um complemento que apóia a geração de soluções; é um testemunho adicional de nossa paixão e perseverança em dar suporte aos ambiciosos objetivos internacionais de diminuir a quantidade de pessoas sem acesso à água potável e ao saneamento.
Procuramos abrir um canal de comunicação de alta credibilidade que tenha impacto sobre as decisões referentes ao manejo dos recursos hídricos que por sua vez,
ajude a posicionar a Amanco como uma
empresa de iniciativas únicas e efi cientes
para ajudar o mercado e estimular melhores níveis de qualidade de vida das populações nos países em que atuamos.
Com o lançamento do primeiro número de Aqua Vitae, sentimo-nos emocionados ao ver como uma idéia se materializava em um fato, e era distribuída em mãos de uma importante audiência latino-americana e mundial. Depois de alguns meses foi interessante perceber como estas primeiras gotas d’água caíram em terra fértil, ao recebermos comentários e sugestões de nossos leitores, por sermos reconhecidos como promotores de uma iniciativa que procura ser fonte de informação e debates sobre os assuntos mais relevantes relacionados com a água, em todas as suas dimensões: ambiental, econômica, social, cultural e política. Naquele momento, o que nos levou a dar o nome de Aqua Vitae a esta revista, foi a necessidade de tomar consciência de que a água é vida. Que sem este precioso líquido não podemos existir.

Que o assunto é tão importante que todos devemos nos envolver e conhecer melhor a sua problemática, ou pelo menos facilitar o fluxo de idéias e do conhecimento. Água e vida estão estreitamente relacionadas em uma interação que não é simples. Existem paradoxos que é preciso entender para dimensionar corretamente a complexidade do tema, como por exemplo compreender que nem toda a água em quantidade é boa. A chuva é um fenômeno que traz riqueza, mas em excesso gera destruição. A irrigação agrícola melhora a produção de alimentos, mas quando é mal utilizada no que diz respeito à quantidade de água, pode ter um efeito negativo. Mesmo na água existe a necessidade de balanço, de equilíbrio, e tudo aquilo que o afete deve ser controlado para que se possa aproveitar corretamente o recurso e otimizar seus impactos. Por isto, nesta segunda edição, tratamos como tema principal as inundações, suas implicações e as medidas necessárias para mitigar de alguma maneira os problemas e impactos que representam sobre os ecossistemas, sobre as populações e sobre as economias dos diferentes países que as enfrentam com maior intensidade e maiores riscos.
O assunto tem especial importância se tomarmos consciência de que, em parte devido ao dano provocado à natureza, está previsto para os próximos anos um aumento em nossa região dos fenômenos naturais que geram catástrofes por excesso de chuva, tornando-se necessário dominar melhor as soluções para diminuir as nefastas conseqüências que estes fenômenos provocam. Por meio de artigos que apresentamos nesta edição, pretendemos trazer um panorama sobre diversas opiniões e também mostrar alguns projetos que estão sendo realizados em favor de um melhoramento da gestão e proteção dos recursos hídricos. Aproveito para convidá-los a nos escrever e enviar suas opiniões e sugestões sobre os diferentes temas tratados, e os principais assuntos que gostariam de ver debatidos nesta tribuna aberta.

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NA QUESTÃO DO FINANCIAMENTO DOS serviços de água e saneamento na América Latina, a participação de diferentes setores parece ser mais a regra do que a exceção nos projetos mais bem-sucedidos. A prática demonstrou a diferentes países que a união de esforços da sociedade: o Estado, as empresas e outras instituições como organismos de financiamento e ONGs, são fundamentais para alcançar melhores resultados. Está claro que o nível de investimento necessário para ampliar a cobertura e a qualidade da água para a população da América Latina é extremamente elevado, dada a quantidade de obras necessária a realizar, e portanto é essencial garantir a eficiência e probidade dos processos de contratação e a qualidade do resultado final. |
Conhecemos experiências muito positivas tanto do setor público como do privado, que alcançaram um grau mais elevado de satisfação quando tiveram a participação dos usuários dos serviços, que se apropriaram de seus recursos e apoiaram os processos de melhoria. Nestes casos, um papel importante foi desempenhado pelos bancos de segundo escalão, que ofereceram recursos financeiros, acompanhados de assessoria na administração eficiente destes serviços. Outro ator relevante foram os municípios, os quais tomaram a iniciativa de levantar os recursos e administrar as mudanças nas respectivas legislações para levar adiante projetos novos ou de melhorias nos serviços de água e saneamento.
Também as ONGs se integraram fortemente para apoiar diversas comunidades em nossos países conseguindo oferecer assessoria, capacitação e recursos econômicos para que as diversas populações exerçam seu direito à água e contem com este recurso na quantidade, freqüência e qualidade que lhes cabe como seres humanos. Na presente edição de Aqua Vitae desejamos colocar na mesa de discussão este importante tema sobre o financiamento dos serviços de água e saneamento e, por meio de nossa própria pesquisa ou da informação fornecida por nossos colaboradores, pudemos mostrar experiências que demonstram que o interesse de obter serviços de qualidade vai além da iniciativa estatal ou privada.
Hoje o que mais importa é a qualidade do enfoque multissetorial, onde diversos setores dão sua contribuição por meio de alianças eficientes, obtendo projetos sustentáveis. Atualmente, algumas destas organizações que se desenvolveram e se transformaram em instituições eficientes, estão dispostas a oferecer a outras comunidades os detalhes de seu modelo para que possam ser replicados em outras regiões, como nos casos de Puerto Cortés, em Honduras, e de Montería, na Colômbia, por exemplo. O ano de 2015 aproxima-se e embora alguns considerem que será difícil para a América Latina cumprir os Objetivos de Desenvolvimento do Milênio no que diz respeito à cobertura dos serviços de água e saneamento, o salto que muitos países da região conseguiram dar, já é bem-vindo, pois a experiência lhes ensinou uma das normas mais importantes para alcançar o sucesso na obtenção de seus objetivos em água e saneamento: a necessidade de associar-se e trabalhar em conjunto com diversos setores. Um grande desafio que permanece para muitos, mas uma referência digna de ser experimentada.

Países como o México, que há mais de 13 anos implementou um Tratado de Livre Comércio (TLC) com os Estados Unidos e o Canadá, e outros como Peru, Colômbia ou as nações da América Central, que se encontram na iminência de implementar outro acordo com os Estados Unidos, experimentaram o temor de alguns grupos de seus habitantes quanto à possibilidade da água vir a se transformar em um grande negócio, mais que em um bem social.
Tal como mostramos na edição anterior, o importante parece ser manter sempre um enfoque multissetorial para cumprir as expectativas dos usuários e outros públicos interessados.
Além disso, uma boa regulamentação interna é sempre garantia para a população, de que receberá o serviço nas condições de quantidade e qualidade prevista pela Organização das Nações Unidas, entre seus Objetivos de Desenvolvimento do Milênio.
Com ou sem os TLC, os países da região devem dar um passo além e zelar para que seus cidadãos contem com o recurso necessário para suas necessidades. Estes acordos comerciais são apenas o ponto de partida para que a questão da água seja colocada na mesa de discussão, no entanto a gestão do recurso hídrico deveria ser analisada a partir de uma perspectiva integral e sustentável.
Sejam os acordos comerciais um desafio ou uma oportunidade para a gestão do recurso hídrico, a questão da água deve ser fortalecida em cada país e como região, tal e qual ocorre na América Central, onde busca-se a assinatura - por parte de todos os Presidentes dos países que fazem parte dela - do Convênio Centro-americano da Água, o primeiro a estabelecer no bloco as bases para o manejo da água, assunto ao qual nos referimos na seção Legislação.
O recurso hídrico deve ser analisado, principalmente, pensando nas futuras gerações, e portanto iniciativas como os programas de pagamento por serviços ambientais (PSA), que já são feitos com sucesso em diversos países da região, demonstram que é melhor premiar a preservação do que proibir ações que muitos nem sequer contam com recursos para controlar. Este assunto, que tratamos na seção Ambiente, proporcionará algumas idéias que podem favorecer a proteção do ambiente e da água nos países da América Latina.
Nesta mesma ordem, a irrigação constitui-se numa atividade fundamental para a agricultura, mas também em uma responsabilidade para o produtor agrícola que deve receber assessoria sobre os diferentes mecanismos de irrigação que economizem água, ao mesmo tempo que melhorem sua produtividade e cuidado do solo, em um setor no qual , conforme sabemos, o desperdício é quase o dobro do necessário.
Outros assuntos de relevância que tratamos nesta nova edição de Aqua Vitae são a higiene necessária para evitar enfermidades, resultado da falta ou do mau uso da água, assim como mecanismos para desinfetar o líquido antes de ser consumido na própria casa.
Com estes e outros assuntos novamente pretendemos colaborar com a elaboração de ações que dizem respeito a todos os setores, em benefício de uma maior cobertura e qualidade da água.
Em outubro do ano de 2005, foi editada pela primeira vez Aqua Vitae, revista latino-americana especializada na questão da água, com o objetivo de ser uma tribuna para expor soluções, analisar propostas e fomentar o diálogo intersetorial em torno deste importante recurso natural. Desde então seu compromisso foi o de ser um ponto de encontro de representantes de setores estratégicos regionais que têm em sua agenda, como uma questão prioritária e fundamental, a água.
Aqua Vitae foi, é e será uma tribuna aberta e plural que reúne idéias, propostas, programas, experiências, pesquisa e estudos dedicados à promoção de uma visão propositiva da problemática do recurso água. É nosso objetivo criar uma consciência a respeito da importância do desafio latino-americano frente à gestão do recurso hídrico dentro de um contexto global.
Durante estes anos recebemos muitas e boas notícias que davam conta de que este desafio é partilhado com uma enorme quantidade de pessoas, governos, instituições e empresas, que entenderam o verdadeiro valor da água e o papel que ela desempenha no desenvolvimento integral da humanidade.
Em outubro de 2007 recebemos de parte do Centro de Água do Trópico Úmido para América Latina e Caribe (CATHALAC), não apenas uma boa notícia mas um prêmio, que nos compromete a seguir adiante neste esforço, com maior afinco e profissionalismo. Aqua Vitae foi selecionada por um comitê qualificador internacional como finalista, em segundo lugar, do Prêmio Latino-americano e do Caribe da Água PLACA Empresarial 2007..
Os Prêmios Latino-americanos e do Caribe da Água – PLACA – são outorgados com o propósito de reconhecer e compartilhar soluções inovadoras relacionadas com o manejo e a conservação do recurso água na região e reconhecer esforços e melhores práticas locais, nacionais e regionais que servem de exemplo para alcançar os Objetivos de Desenvolvimento do Milênio. Os prêmios contam com os auspícios do CATHALAC, do Plano Escritório Regional para as Américas, do CARE Internacional, da Autoridade do Canal do Panamá, do Escritório Regional para América Latina e Caribe do UNICEF, do Escritório Regional para América Latina e Caribe do Programa de Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA) e da Fundação Asas.
Aqua Vitae recebeu do Diretor do CATHALAC, Emilio Sempris, a boa notícia de ser um dos ganhadores deste importante prêmio internacional em 2007.
Sentimo-nos muito orgulhosos de fazer parte de um grupo de ganhadores de renome internacional e de uma trajetória neste nobre esforço: Dra. Mary Lindsay Elmendorf, premiada uma vida de conquistas por seu trabalho em projetos de água e saneamento na América Latina e no mundo; Yaku Parque Museu da Água, com sede em Quito, Equador; Dr. Darner Mora Alvarado, Diretor do Laboratório Nacional de Águas da Costa Rica; os alunos de quinto ano da Escuela del Sur, da Fundação Educativa e Cultual da Província de Rio Negro na Argentina; Associação de Usuários do Rio Frayle, do Departamento do Valle del Cauca na Colômbia; Escola de Educação Técnica Domingo Faustino Sarmento em Mar del Plata, Argentina, Ejido Oxtoyahualco, do Município de Ahuacutzingo, Guerrero no México e Engenheiro William Carrasco Mantilla da Colômbia.
Aqua Vitae foi indicada pelo Secretário Executivo do Comitê Regional de Recursos Hidráulicos do Sistema de Integração Centro-americana, Max Campos Ortiz. Recebemos este reconhecimento com a responsabilidade que implica trilhar o caminho de ser um meio de comunicação comprometido, que reflete a visão de nosso grupo empresarial e de cada um dos companheiros que diariamente trabalham pela água e para a água.
CONSELHO EDITORIAL

