Jorge Luis Mortola
A inovação se impõe diante da necessidade de contar com produtos cada vez
mais efi cientes, duráveis, econômicos, não
agressivos para o meio ambiente, funcionais e de bom comportamento ao longo
do tempo. Em matéria de soluções para satisfazer a demanda de condução de água,
o aumento e a concentração da população
mundial obriga que sejam desenhados e
construídos com produtos que superem os
períodos típicos de 25 anos de vida útil.
A biorientação do PVC cria tubosistemas com atributos impossíveis
de serem alcançados com uma extrusão convencional.
Não existem recursos sufi cientes para
ampliar a cobertura e reduzir o número de
pessoas sem acesso à água potável, menos
ainda para substituir as muitas instalações
antigas que estão chegando ao fi m de sua
vida útil, com uma média de 20 a 40 anos
de funcionamento e em um estado de de composição que propicia grandes perdas
por rompimento e vazamentos. Então, são
necessários produtos que garantam períodos de utilização iguais ou superiores aos
100 anos.
A biorientação em linha é uma alternativa. É um processo por meio do qual as
moléculas são acomodadas no sentido da
circunferência e longitudinal de um composto especial, obtendo como resultadoplanos de orientação molecular e real estrutura laminada em camadas, que aumentam significativamente sua resistência e força. Graças a esse tipo de processo foi possível obter recipientes para alimentos com paredes mais finas e com maior resistência que os tradicionais, como os sacos de salgadinhos e garrafas para refrigerantes, que podem suportar impactos muito fortes sem se romper.
São as tubulações favoritas na condução de fluidos sob pressão
por diversas razões: |
Este também é o princípio da tubulação Biaxial. Um PVC biorientado dúctil, tecnologia européia agora disponível na América Latina, que permite conduzir a água sob maiores pressões, com mais segurança e menores custos de instalação. É ideal para solos irregulares e propensos a movimentos geológicos, porque suporta cargas e esforçosmuito intensos, sem se romper.

Nestes tubos a pressão resiste melhor à tensão, suporta maiores pressões com menores espessuras; e por serem mais flexíveis e leves, são manipulados com facilidade, com o conseqüente benefício para a saúde dos instaladores e sua produtividade. Além disso, têm uma menor espessura de parede, portanto sua capacidade de transporte de água é maior e permite uma importante economia no uso de energia quando se trata de conduções por bombeamento ou equipamentos de irrigação a pressão.

Em países como a Colômbia, as tubulações convencionais já estão sendo substituídas por Biaxial e ele começou a ser instalado em projetos privados como o Parques de Granada, um complexo urbanístico de mais de 5.000 moradias na pequena cidade de Colsubsidio, para a rede de distribuição primária da água potável. Os testes hidrostáticos obtiveram resultados satisfatórios a uma pressão de 150 psi.
La tubería Biaxial se utiliza en conducción de aguas, desde bocatomas hasta plantas de tratamiento de aguas,
y en redes de suministro de agua potable. Se ofrece en diámetros de 4”, 6”, 8”, 10” y 12”.
A isto é somada a garantia de consistência e qualidade permanente do produto, por um processo integrado, com a mais alta tecnologia de biorientação em linha, o que assegura a qualidade do produto e a oportunidade das entregas. O produto final se traduz em confiança por parte dos clientes e nos leva a pensar que a evolução do PVC revolucionará os sistemas de pressão.

O CATHALAC é um organismo internacional autônomo, formado em 1992, por meio de um convênio entre a república do Panamá e a Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco), e para promover o desenvolvimento humano sustentável por meio da melhora do conhecimento sobre o ciclo da água, e de uma gestão integrada dos recursos hídricos e do ambiente, inspirando, informando e disponibilizando aos estados membros e membros associados da Unesco, os meios para melhorar sua qualidade vida sem comprometer a das futuras gerações.
O Sistema Regional de Visualização e Monitoração foi instalado no CATHALAC, na Cidade do Saber, Panamá, em fevereiro de 2005. O Servir utiliza intensivamente imagens de satélite e outras fontes de informação para o manejo ambiental e o apoio para a mitigação de desastres. Ele arquiva, processa, gera e divulga, diária e sistematicamente, dados informativos por meio do uso de sofisticados equipamentos de computação e informação, com o intuito de orientar seus produtos para áreas temáticas como incêndios florestais, inundações, monitoração da alteração e uso da terra, pesquisa sobre os recursos hídricos, integração das zonas costeiras, equilíbrio energético, ciclo do carbono e cenários climáticos. A arquitetura computacional do Servir também abriga dados de outras iniciativas regionais como o Sistema de Informação Ambiental Mesoamericano (Siam), a Rede Interamericana de Informação sobre Biodiversidade (Iabin) e a Base de Dados Global de Recursos de Informação do Programa de Nações Unidas para o Desenvolvimento (Unep-Grid) para a América Latina e o Caribe.

SERVIR cuenta con servidores de datos de modelos climáticos y con información disponible para el usuario
A função do SERVIR
O Servir conta com ferramentas geoespaciais que permitem ver as camadas de informação com avançada resolução. Entre alguns aspectos do sistema destacam-se: a visualização das informações sobre eventos sísmicos e de imagens diárias sobre incêndios florestais, monitoração de área de eventos atmosféricos. Para previsão do tempo foi instalado o Modelador MM 5 (Modelo de Mesoescala de quinta geração) que possibilita prognosticar variáveis como umidade relativa e calcular níveis de precipitação e ponto de orvalho nas camadas atmosféricas.
“A partir da sede do CATHALAC é monitorada uma área geográfica que vai desde a parte sul do México até o Canal do Panamá” |
Com a instalação do Servir no CATHALAC, planejadores, engenheiros, construtores e ambientalistas de entidades governamentais e privadas podem acessar dados recolhidos por satélites sobre a detecção de qualquer evento emergente e usá-los para uma posterior tomada de decisões e medidas preventivas.

Informações vitais para decisões O Servir pode ser utilizado por cientistas, educadores e tomadores de decisões para monitorar e prever desastres naturais relativos a incêndios
florestais, tempestades tropicais, inundações, secas e erupções vulcânicas. Também oferece ferramentas amigáveis e interativas a estudantes e ao público em geral. Tudo isso é divulgado diária e sistematicamente no site do Servir na Internet (http://servir.nasa.cathalac.org) que oferece acesso aberto e gratuito para:
1.Baixar arquivos vetoriais e de imagens de satélites por meio da janela denominada “informação mesoamericana” e um componente denominado Mesostor.
2.Mapas interativos on line.
3.Ferramentas para a tomada de decisões temáticas.
4.Visualizações interativas em 3D.
As áreas temáticas de apoio na tomada de decisões disponíveis incluem detecção de incêndios, concentração de clorofila, alterações climáticas, a previsão do clima de curto prazo, gestão de zonas costeiras, mudança de cobertura e uso de terras, monitoração de reservatórios de carbono terrestre, recursos hídricos e manejo de desastres.
Este projeto proporciona valor agregado às atividades em curso e de treinamento no CATHALAC, servindo às demandas crescentes por capacitação de universidades, desenvolvedores de projetos, setor privado, ONGs e profissionais interessados que desejem incrementar ou atualizar suas capacidades.
mada de decisões disponíveis incluem detecção de incêndios, concentração de clorofila, alterações climáticas, a previsão do clima de curto prazo, gestão de zonas costeiras, mudança de cobertura e uso de terras, monitoração de reservatórios de carbono terrestre, recursos hídricos e manejo de desastres. Este projeto proporciona valor agregado às atividades em curso e de treinamento no CATHALAC, servindo às demandas crescentes por capacitação de universidades, desenvolvedores de projetos, setor privado, ONGs e profissionais interessados que desejem incrementar ou atualizar suas capacidades.
Alianças
O Servir é financiado principalmente pela Nasa e pela USAID. Outros sócios-chave são a Comissão Centro-americana de Ambiente e Desenvolvimento (CCAD), o Banco Mundial, a Autoridade Nacional do Ambiente do Panamá (Anam) e os ministérios do Ambiente de cada um dos países da América Central, a Cidade do Saber e no setor privado, Cable & Wireless Panamá, EGE Fortuna S.A. e Tierras Altas S.A.
Por que existe a necessidade de se criar este sistema?
A região centro-americana caracteriza-se por ter uma das zonas de maior biodiversidade e bosques tropicais no mundo. Conta com mais de 30 áreas protegidas de importância internacional. As áreas de bosques cobrem 30% do território centro-americano e contém quase 12% das costas Caribenhas e da América Latina, incluindo 567 mil hectares de manguezais e 1.600 km de barreiras de coral.
No entanto devido à sua posição geográfica, durante as últimas décadas eventos naturais e antropogênicos, como alteração climática, secas, inundações, tempestades e furacões, os fenômenos do El Niño e La Niña, incêndios florestais e erupções vulcânicas provocaram grandes perdas, tanto humanas como ambientais. Infelizmente, eventos extremos do tempo e do clima na região evidenciaram a vulnerabilidade da região. Como exemplo específico, os impactos do furacão Mitch que deixou na região mais de nove mil e perdas avaliadas em US$ 8, 5 milhões.
| Para maiores informações |
| CATHALAC
801 Ciudad del Saber, Clayton
Caixa Postal 0823-03976, Panamá,
República do Panamá Tel.: +(507) 317-0125/1640 Fax: +(507) 317-0127 e-mail: cathalac@cathalac.org web: www.cathalac.org |
| GOTAS | 2006: Ano Internacional dos Desertos e da Desertifi cação (IYDD) | ||||||
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O Ano Internacional foi declarado na seção 58 da Assembléia Geral das Nações Unidas, em um esforço para frear a desertifi cação em todo o mundo, assim como os custos decorrentes da devastação ambiental, social e econômica. O IYDD proporciona uma oportunidade maior para reforçar a visibilidade e a importância da questão das terras secas na agenda ambiental internacional, ao mesmo tempo que mostra a natureza global do problema. Todos os países e as organizações sociais civis estimularam a tomada de iniciativas especiais para celebrar o ano e os preparativos já estão bem encaminhados em todo o mundo.
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Sem dúvida, o país pioneiro na reutilização de águas foi Estados Unidos. No entanto, o resto do mundo continua no caminho de não desperdiçar a água que já teve uma primeira utilização, para voltar a usá-la em sanitários, limpeza de ruas ou em irrigação de jardins urbanos, assim como na agricultura ou na indústria. Dois países de grande peso econômico e com maior população na América Latina, como Brasil e México, continuam este exemplo e prosseguem colocando em andamento e pesquisando a reutilização da água em edificações.
Segundo avaliação da Organização Pan-americana da Saúde (OPS) sobre serviços de água potável e saneamento, a América Latina e o Caribe têm aproximadamente 480 milhões de habitantes. Destes, 130 milhões (27%) carecem de conexões domiciliares de água potável, 255 milhões (53%) não têm conexões de esgoto sanitário, e apenas 86 milhões (18%) contam com sistemas de saneamento em bom estado. Todo isto acarreta que, a cada ano, a América Latina despeje mais de 100 milhões de metros cúbicos de águas residuais aos corpos de água, uma boa oportunidade para apostar na reciclagem da água.
Embora a reutilização de águas tratadas ainda não se tenha transformado em uma prática comum em nível mundial, é preciso recordar que a Califórnia, nos Estados Unidos, foi o primeiro estado deste país a colocar em funcionamento seu sistema de regeneração e reutilização planejada da água, em 1912. Atualmente, são 17 os estados que seguem seus passos. Esta referência internacional na reutilização dos recursos hídricos é acompanhada na classificação por Flórida e Arizona.
Brasil em fase inicial
Na América Latina, na Universidade de Brasília, há mais de uma década são realizadas pesquisas sobre a reutilização da água. As metas são ambiciosas: o objetivo é economizar até 60% do consumo urbano de recursos hídricos. A água que previamente tenha sido utilizada no banho ou na cozinha é reciclada para ser utilizada em lagoas de piscicultura (repopulação de rios e tanques com peixes e crustáceos), entre outros usos.
Com a reutilização de água é possível diminuir a pressão sobre os mananciais e reduzir a contaminação do meio ambiente, destacam especialistas como Claudio Itaborahy. Uma pequena cidade de 140 000 habitantes situada na região metropolitana de São Paulo, São Caetano do Sul, já se destaca no aproveitamento de água reciclada que se destina à irrigação de jardins e lavagem de ruas e edifícios.
Entre as competências da Agência Nacional de Águas (ANA) de Brasil, encontra-se a que diz respeito à reutilização dos recursos hídricos, destaca Itaborahy, representante da Instituição. Adverte que por ora as boas práticas estão "em fase inicial de implementação" e é necessário adaptar muitas delas às condições brasileiras. Técnicos da ANA participam dos grupos de reutilização do Conselho Nacional de Recursos Hídricos (CNRH) para definir as diretrizes, os critérios e os parâmetros neste capítulo.
"Países como o Brasil - assegura Itaborahy, devem incentivar a prática da reutilização para garantir o acesso à água, principalmente em partes de seu território com menor oferta, e também para evitar que onde os recursos hídricos são abundantes a água apresente uma qualidade degradada". Acrescenta que nas cidades mais populosas donde existem áreas agrícolas, a água reutilizada de origem doméstica, pode ser uma fonte importante para a produção agrícola de alimentação ou de agro-energia.
Engenheiros hidráulicos avaliaram que cada habitante da área metropolitana de São Paulo consome cerca de 180 litros de água por dia, quando seria suficiente uma centena. De acordo com a regulamentação brasileira, o Conselho Nacional de Recursos Hídricos estabelece as modalidades de reutilização com base em seus fins urbanos, agrícolas, florestais, ambientais, industriais e na piscicultura.
Reutilização diária
Como explica Claudio Itaborahy, depois de seu uso doméstico, a água pode ser reutilizada com tratamento ou mesmo sem ele. Nas residências particulares é mais comum a reutilização da água em banheiros, pias, lavadoras de roupa ou sanitários. Enquanto que nos condomínios localizados em áreas mais distantes de redes de esgoto, a água pode ser tratada mediante a instalação de sistemas de filtros e desinfecção depois de seu tratamento biológico.
O especialista brasileiro lembra que sempre que for possível, a água reciclada deve ser destinada a usos não potáveis, por exemplo sanitários, limpeza de parques ou irrigação de jardins.
Itaborahy destaca o fato de que apesar de o Brasil ainda se encontrar em fase de regular a reutilização de água, já existem experiências em andamento em algumas cidades. A este respeito, acrescenta que a Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp), de forma experimental, abastece com água reciclada algumas empresas da região metropolitana. Além disso, a Sabesp também está interessada na reutilização de água para fins agrícolas, embora continue pendente da respectiva regulamentação.
Custo da reciclagem
É muito caro o processo de reutilização da água? "Depende de vários fatores", responde Claudio Itaborahy; por exemplo, o uso ao qual vai ser destinada, ou a quantidade e qualidade da água reutilizada que será submetida a tratamento. Os custos deste processo não constituem um impedimento para levar a cabo a prática da reciclagem; inclusive em alguns casos, pode haver "um retorno econômico" para a empresa que se disponha a produzir água reutilizada para sua comercialização, explica.
Segundo informação da Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp), fornecida pela ANA, a água reutilizada tem um valor de $0,17 por metro cúbico (mil litros) para as comunidades da região de São Paulo, para os quais o preço é reduzido, devido à sua função pública, enquanto que para indústrias e particulares o preço é de $0,30 por metro cúbico.
Os produtos que são utilizados para o tratamento da água reciclada normalmente não diferem daqueles utilizados nos sistemas convencionais e, certamente, afirma o especialista da ANA, "um dos benefícios da reutilização é evitar o lançamento de grandes efluentes tratados em rios, lagos, lagoas e no mar", auxiliando assim na proteção do meio ambiente.
A Agência Nacional de Águas brasileira publicou o estudo Conservação e reuso da água em edificações, obra na qual, entre outros aspectos, destaca a necessidade de acompanhar os avanços na reutilização da água com a reeducação dos comportamentos dos usuários. Por exemplo, estabelecendo- se metas de economia por usuário ou por equipamentos, e impulsionando a instalação de novos equipamentos. Também é considerado positivo estabelecer programas de incentivos, ainda em estudo, como aqueles destinados aos consumidores que detectem vazamentos dentro de seu edifício.
México urbano
No continente americano, o México se destaca por seguir nesta aposta ambiental, sobretudo nas regiões áridas e semiáridas do centro e do norte do país. Para a Comissão Nacional da Água (Conágua) deste país, a reutilização do líquido é parte fundamental de sua política hídrica, por um lado, porque é um bem cuja disponibilidade é limitada, e por outro lado, porque o saneamento passa a ser indispensável quando muitas vezes é preciso enfrentar também a degradação das fontes de fornecimento.
No México, país em que mais de 70% da população
vive em zonas urbanas, no Distrito Federal calcula-se que 67%
da água é destinada ao uso doméstico. Estudos indicaram que
a demanda da agricultura e da indústria pode absorver a água
regenerada dos resíduos municipais. Realmente, foi constatado
que o emprego de águas reutilizadas de origem doméstica
fornece aos cultivos matérias orgânicas ou nitrogênio, que
lhes são favoráveis.
ORIGEM ANCESTRAL Os primeiros habitantes a reutilizar o recurso hídrico foram os da Ilha de Creta, na época Minoica. Nesta cultura pré-helenística da idade de bronze, já se interessaram em voltar a usar as águas residuais. A princípio, até meados do século XIX, não era aplicado nenhum tratamento às águas residuais, e elas eram vertidas diretamente nas propriedades agrícolas de granjas situadas, por exemplo, na Alemanha ou na Grã Bretanha. Esta prática chegou a provocar graves problemas de saúde pública. No século seguinte foi dado o grande salto com relação ao avanço sanitário, e antes de 1950, por exemplo, já se usava o cloro. Ao mesmo tempo, na Inglaterra já funcionavam os primeiros processos biológicos para depurar as águas residuais e, na Califórnia, já se começava a regular o uso de águas residuais na agricultura. Mas foi sem dúvida a partir dos anos 60 que a regeneração, a reciclagem e a reutilização das águas residuais adquire maior importância diante da crescente pressão demográfica e dos efeitos e prospecções com relação à mudança climática mundial. A regeneração permite também enfrentar problemas como o da contaminação e, ao mesmo tempo diminui a necessidade de explorar as fontes convencionais e esgotáveis para o fornecimento de água. |
DIAGRAMA SISTEMA DE REUTILIZAÇÃO DE ÁGUA NA CALIFÓRNIA

Tipos de processos de tratamento da água reciclada
| Tratamiento primario | Tratamiento secundario | Tratamiento terciario |
| Recomenda-se não utilizá-la neste nível | Irrigação superficial de hortas e vinhedos | Irrigação de áreas verdes e campos de golfe |
| Irrigação de cultivos não comestíveis | Caixas de descarga | |
| Tanque para irrigação de áreas verdes | Lavagem de veículos | |
| Recarga de água subterrânea para aqüíferos não potáveis* | Irrigação de cultivos comestíveis | |
| Pântanos, hábitat selvagem, aumento de corrente de rios | Fontes de água decorativas | |
| Processos de refrigeração industrial* | Reutilização potável indireta: recarga de aqüíferos e aumento de reservas de água superficiais* |

A reintrodução de salmões está sendo feita com águas reutilizadas. Mustafa Ozer / AFP
Na região metropolitana do Vale do México, com uma população próxima dos 20 milhões de habitantes e onde existe água subterrânea em abundância, foi calculado que são necessários aproximadamente 35 metros cúbicos de água por segundo para cobrir a demanda de água potável. Uma vez utilizadas, são vertidas no sistema de esgoto e calcula-se que 90% dessas águas residuais não são tratadas. Elas são utilizadas para irrigar cultivos no Valle do Mezquital. Cerca de 10% das águas residuais são regeneradas e destinadas a projetos locais de recarga de água subterrânea e à irrigação da paisagem urbana.
Na Cidade do México, para fornecer a água regenerada aos consumidores é utilizada uma rede de distribuição com 838 quilômetros de comprimento, que foi surgindo conforme a demanda. Também conta com registros onde são abastecidos os caminhões-pipa. A reutilização de águas regeneradas destina-se principalmente à irrigação de parques e jardins, em estradas e para encher lagos recreativos, como o de Chapultepec ou os canais de Xochimilco. Além disso, são utilizadas em processos industriais de resfriamento e de limpeza, na lavagem de automóveis, de ônibus, dos trens do metrô e na recarga artificial dos mantos aqüíferos. Sem dúvida alguma, o caminho está aberto. As pesquisas e os recursos destinados ao aperfeiçoamento dos mecanismos de reutilização de água não se detêm, são o futuro que já chegou para economizar o precioso bem que se esgota.

O povoado de San Juan Tlacotenco, com aproximadamente 2.000 habitantes, está localizado em uma área montanhosa no Município do Tepoztlán, Morelos, México. É uma comunidade com uma elevada taxa de crescimento, que ainda apresenta características culturais rurais, onde muitas famílias ainda dependem da produção agrícola em baixa escala. O nível econômico na comunidade varia, com rendas entre US$270-US$900 mensais por família. Atualmente, o tipo de saneamento mais comum na comunidade são as latrinas convencionais (de fossa seca ou com descarga de água por balde), que contribuem para a contaminação da água subterrânea em razão do solo ser de tipo vulcânico, que é muito permeável. O abastecimento de água potável é limitado, parcialmente solucionado com captação de água pluvial e, durante a temporada de seca, a compra de “pipas” (caminhões cisterna) de água a um preço muito elevado, ou com a coleta de água dos mananciais.
Harmonia com a natureza
Dentro deste contexto nasceu o projeto piloto Ecosan
(sa-neamento ecológico). O saneamento ecológico baseia-se em
soluções simples de saneamento que oferecem alternativas para
a escassez de água, uma vez que propõe sistemas que utilizam
menos recurso hídrico do que sistemas convencionais, e incluem
métodos e práticas para o tratamento e a reutilização de águas
cinzas (saponáceas) e soluções para a segurança alimentar, uma
vez que considera os principais resíduos orgânicos (lixo, urina e
fezes) como recursos potenciais e não como refugos.
Além disso, estes sistemas contêm elementos de higienização de dejetos humanos, reutilização de nutrientes e de matéria orgânica em produção agrícola e de águas tratadas, com a finalidade principal de fechar os ciclos de nutrientes e da água. Assim, o sistema Ecosan mostra-se muito atraente para comunidades periurbanas como a de San Juan Tlacotenco, com suas carências de fornecimento e altos custos de água, sua agricultura urbana e sua preocupação clara com a deterioração ambiental.
Dois anos depois, apenas duas das 30 famílias abandonaram este sistema, uma delas porque se mudou para outro lugar e a outra porque enfrentou dificuldades na manutenção, dificuldades que estão sendo resolvidas. Um fator chave para a aceitação da abordagem Ecosan por parte das famílias envolvidas, foi a oferta de sanitários dignos com a integração do lavabo no ambiente do banheiro, obtendo assim a melhora da higiene, em comparação com as latrinas atuais. A capacitação integral e a participação comunitária foram outros componentes indispensáveis para assegurar o bom funcionamento e a manutenção dos sistemas. De acordo com uma avaliação externa realiada em abril de 2007, todas as pessoas que receberam estes sistemas disseram que continuarão mantendo suas prvadas secas no futuro e a maioria delas declarou que, se tiverem a possibilidade, não trocarão o estilo de privada que têm.
Processo de organização
As famílias envolvidas receberam o apoio técnico do
SARAR Transformación S.C., durante todo o processo de
implementação, incluindo a organização comunitária, oficinas
de conscientização, desenho, construção, uso, manutenção e
fechamento do ciclo de nutrientes; e a criação de serviços de manutenção. As famílias contribuíram com a mão de obra e
materiais locais, enquanto que a Comissão Estadual de Água
e Meio Ambiente de Morelos (CEAMA) subsidiou o projeto
com material de construção. Ao atribuir a responsabilidade da
mão de obra à comunidade, foi gerado um conhecimento
local da construção dos sistemas ecológicos, cujo objetivo
maior é a autorreplicação.
Novas expectativas
Embora o saneamento ecológico represente um
possível cenário futuro para toda a comunidade de San Juan
Tlacotenco, também existem outros sistemas convencionais que
competem para satisfazer a demanda de saneamento. A partir
da década de 70, o governo estadual e a Prefeitura de Tepoztlán
tentaram realizar um sistema comunitário de distribuição de
água potável, e como parte desta política, recentemente
construíram uma colossal “cisterna” comunitária de 20.000 m3
para captar e armazenar água pluvial – iniciativa que sem dúvida
pode despertar expectativas de ter WC (banheiro de fluxo-earrasto)
e portanto, acesso à drenagem.Curiosamente, quando o projeto piloto do Ecosan
começou em San Juan, o governo municipal iniciou a instalação
de um sistema de drenagem no centro da cabeceira de
Tepoztlán. Isto proporcionou uma oportunidade concreta para
comparar os custos e as conseqüências ambientais e
socioeconômicas das duas diferentes opções – o Ecosan e o sistema
convencional de arrasto de água – se fossem implementados em
San Juan Tlacotenco. (Ver quadro Sistemas de saneamento). O
estudo comparativo demonstrou que os benefícios decorrentes do
sistema Ecosan nesta comunidade seriam muitos, em comparação
com uma instalação de drenagem. Uma forte evidencia são outras
126 famílias com interesse em implementar sistemas Ecosan. Do
mesmo modo, as autoridades perceberam que o saneamento
ecológico oferece vantagens, por isso acabam de concluir outros 30
sanitários ecológicos em San Juan Tlacotenco.
Processo de organização
As famílias envolvidas receberam o apoio técnico do
SARAR Transformación S.C., durante todo o processo de
implementação, incluindo a organização comunitária, oficinas
de conscientização, desenho, construção, uso, manutenção e
fechamento do ciclo de nutrientes; e a criação de serviços de manutenção. As famílias contribuíram com a mão de obra e
materiais locais, enquanto que a Comissão Estadual de Água
e Meio Ambiente de Morelos (CEAMA) subsidiou o projeto
com material de construção. Ao atribuir a responsabilidade da
mão de obra à comunidade, foi gerado um conhecimento
local da construção dos sistemas ecológicos, cujo objetivo
maior é a autorreplicação.
SISTEMAS DE SANEAMENTO Os critérios básicos que devem ser incluídos para definir
um sistema adequado de água e saneamento, segundo o grupo
consultor SARAR Transformación S.C., que oferece estratégias
comunitárias para elevar a qualidade de vida em um contexto • Proteger e promover a saúde humana: É importante que não apenas o sanitário (ou banheiro) seja seguro higienicamente, mas sim todo o sistema. • Proporcionar proteção ambiental: O sistema deve evitar as emissões que poluam água, solo e ar. Além disso deve minimizar o uso de recursos naturais e ser reciclável, tanto na construção como em sua operação e manutenção. • Considerar o fator socioeconômico: devem-se ponderar os investimentos iniciais, os custos recorrentes, a capacidade e vontade de pagar, assim como a cultura atual de água e saneamento. Fonte: SARAR Transformación S.C. |
Opções sob medida
Pela experiência obtida no município do Tepoztlán –
com sua enorme diversidade de tipos de moradia, cultura e
níveis econômicos – tornou-se evidente que existe a
necessidade de reconsiderar as bases e estratégias para novos
investimentos em água e saneamento.
A América Latina conta com uma grande parte da
população mundial que carece de um acesso adequado ao
saneamento, ou que conta com instalações que provocam
impactos negativos ao ambiente e à saúde. O problema com a
política convencional neste setor é que se aplica o mesmo
conceito para todas as comunidades, sem realmente considerar
as condições e as exigências técnicas, físicas e culturais
específicas do local. De fato esta observação não só é válida
para o sistema de fluxo e arrasto, mas também para o Ecosan.
Por isso, em vez de concentrar-se em aplicar uma única técnica,
é preciso retornar a critérios essenciais para obter um
desenvolvimento sustentável (ver quadro: Ecosan versus sistemas
convencionais).
Para tomar uma decisão é necessário um estudo
profundo das atuais condições técnicas, culturais, econômicas e
ambientais. Com certeza esta maneira holística de enfrentar as
problemáticas simbióticas da água e do saneamento exigirá
soluções inovadoras sobre uma base mais ampla e firme, como
sanitários com separação de urina e com fluxo de água, acúmulo
de urina em casas multifamiliares, tratamento em tanques
artificiais em escala comunitária, para ter uma água adequada
para irrigação, e outras formas de reutilização do recurso.
Por enquanto, a experiência em San Juan Tlacotenco
demonstrou que o enfoque de saneamento ecológico baseado
na separação de urina é uma opção sustentável para muitas
comunidades da América Latina.
ECOSAN VERSUS SISTEMAS CONVENCIONAIS ALGUMAS DAS CONCLUSÕES MAIS RELEVANTES DECORRENTES DO ESTUDO PRÉVIO PARA ESTABELECER O SISTEMA ECOSAN NA • Para implementar o sistema naquela comunidade (4001 famílias) seria necessário um investimento total de US$ 473.000, que inclui tanto custos domésticos como públicos, incluindo a capacitação dos usuários. O investimento equivalente para o sistema de drenagem, incluindo uma planta de tratamento, seria quase três vezes maior: US$ 1.296.000 • A instalação de um sistema de serviço sanitário implicaria
em um aumento no consumo de água de 45.000 litros/ano por família.
O fornecimento desta quantidade de água na comunidade significaria um
custo aproximado de US$ 80. Além disso representaria um custo • Frente a um alto investimento em tratamento, a descarga doserviço sanitário provocaria deságües poluídos em corpos de água, enquanto que o Ecosan sustenta-se no conceito de zero descargas de poluentes nos cursos d’água. • Da perspectiva do saneamento por meio de drenagem, os dejetos humanos são considerados como refugos indesejados, enquanto que no Ecosan, são tratados como um recurso que deve ser reintegrado à produção agrícola de uma maneira segura. • Se o saneamento ecológico obtiver aceitação social, pode fortalecer a autonomia da comunidade; principalmente pelas capacidades desenvolvidas por meio da participação plena das famílias e o benefício direto do uso de fertilizantes produzidos pelo próprio sistema (por exemplo, urina e fezes saneadas) Fonte: SARAR Transformación S.C. |

Novo complexo de residências multifamiliares no Erdos (China) que usa sistemas
Ecosan, inclui sanitários secos com separação de urina, entre outros.
